Brasil desidrata com governo Bolsonaro (por Eduardo Fernandez Silva)

A crise hídrica é muito mais grave do que parece, e o atual governo só a faz piorar!

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Igo Estrela/Metrópoles.
Aterrissagem Rio Branco imagens aéreas do rio Acre.
1 de 1 Aterrissagem Rio Branco imagens aéreas do rio Acre. - Foto: Igo Estrela/Metrópoles.

Entre as muitas e tristes notícias recentes sobre o Brasil, uma deveria mas não mereceu grande atenção. Trata-se do fato, evidenciado pelo MapBiomas, de que a quantidade de água em nosso território está diminuindo drasticamente! A crise hídrica é muito mais grave do que parece, e o atual governo só a faz piorar!

Analisando mais de 150.000 imagens de satélite do período 1985/2020, estudiosos identificaram que em todos os biomas houve perda da superfície coberta por água. O fenômeno já era observado, intuitivamente, por quem vive à beira de rio ou lago: quantos já perceberam, ao longo dos anos, rios mais secos, ou completamente secos, em suas regiões?

Note-se que estamos falando de corpos d’água mais finos, mais rasos e com menos H20, sem mencionar aqueles nos quais o líquido essencial está degradado devido à poluição. Para se imaginar a dimensão do drama, basta lembrar que, entre 1924 e 1944, a “Travessia de São Paulo a Nado” reunia grande público espectador e milhares de nadadores, num percurso de 5.500 metros ao longo do rio Tietê, em plena capital! Hoje, quem se arriscaria mergulhar naquele rio, na “metrópole que não pode parar, a locomotiva do Brasil”? Sem culpar seus habitantes, também eles vítimas, teria ela puxado o país rumo à carência de água e diversão?

Se a perda de lazer é grave, que dizer da carência de água?

O MapBiomas constatou que, nos 35 anos desde 1985, a área brasileira coberta por água diminuiu em 31.000 km2 (igual a 20 vezes o município de São Paulo), ou 15,7% da área inicial!

O estado que mais perdeu foi o Mato Grosso do Sul: se em 1985 o estado tinha mais de 1,3 milhão de ha cobertos por água, em 2020 eram apenas 589 mil ha. Para comparar, no mesmo estado, a área plantada com soja em 1985 também era estimada em 1,3 milhão de ha, e na safra mais recente foi de 3,53 milhões de ha. Com tamanha redução da H20 disponível e a continuidade dos processos que provocam tal perda, poderá o brilho atual da produção desse grão se manter no futuro? E o turismo no Pantanal, prosperará sem água?

Embora o Mato Grosso do Sul tenha tido a maior perda, todos os biomas perderam superfície de água. Na Caatinga, a redução foi de 17,5%. Nesse caso, a transposição das águas do São Francisco – sem esforços substanciais conhecidos para interromper o minguar dos corpos d’água – terá sido uma opção para levar benefícios às pessoas da região ou às empreiteiras contratadas?

O Brasil tem 74 sub-bacias hidrográficas, e 54 perderam cobertura de água. Entre os estados, em 23 a superfície de água foi reduzida; hoje, estão naturalmente menos irrigados 70% dos municípios.

Os dados deveriam causar não apenas alarme, mas, principalmente, providências! Alguém já ouviu, dos candidatos a mandatário neste país, quais medidas adotarão para reverter a desidratação desta terra?

 

Eduardo Fernandez Silva. Ex-diretor da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados

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