A novidade que vem da Inglaterra (por Eduardo Fernandez Silva)
Há pouco mais de seis meses, um jovem de 43 anos assumiu a liderança do partido Verde da Inglaterra e País de Gales.
atualizado
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Neste planeta cheio, exaurido, com seis bilhões de pessoas paupérrimas e carentes de solidariedade, há que pensar políticas públicas que abordem exatamente esses problemas: o atulhamento, a exaustão das fontes e fossas planetárias, a miséria humana. Crenças antigas, cuja eficácia na redução desses problemas tem sido praticamente nula, não deveriam mais, como infelizmente ocorre, moldar as ideias de dirigentes de nações e de grupos que lhes dão suporte.
Há pouco mais de seis meses, um jovem de 43 anos assumiu a liderança do partido Verde da Inglaterra e País de Gales. Recentemente, fez pronunciamento sobre as diretrizes de um possível governo do seu partido. Disse que o foco não seria crescer o PIB. Seria baseado em “três perguntas muito simples: como tornar a vida mais acessível? Como apoiar a maioria solidária e não a elite rica? Como proteger nosso planeta para as gerações futuras?”
Chocou alguns, criou esperança noutros. A novidade fez crescer o número de filiados de 66.000 para 215.000 desde então, e o partido venceu recentes eleições regionais. O choque decorre de que ainda hoje é ampla a aceitação do mito de que fazer crescer o PIB melhora a vida das pessoas. Assim como séculos atrás a demonstração de que não é o Sol que gira em torno da Terra chocou muitos e abalou a estrutura de poder então dominante, questionar o mito que hoje orienta políticas é visto como insanidade, loucura até. Mesmo porque abala a atual estrutura de poder!
O senhor Zack Polanski, este o nome dele, disse outras verdades importantes. Por exemplo, afirmou que ao invés de focar no crescimento do PIB, seu governo priorizaria a saúde da população, a coesão social e o bem-estar das comunidades. Há algo errado nessas prioridades?
Questionado reiteradamente sobre o mesmo tema, se procuraria o crescimento da economia, respondeu que essa é uma maneira errada de colocar a questão. Lembrou que se uma empresa joga esgoto num rio e depois paga para limpá-lo, tecnicamente isso aumenta o PIB. Essa prioridade pode criar incentivos e consequências inesperadas. Ao contrário, defende, os governos deveriam construir políticas voltadas a “missões” mais amplas, tais como “enfrentar a emergência climática, reduzir as desigualdades, e melhorar a vida das pessoas”.
A ideia de “missões” a orientar as políticas públicas, envolvendo todos os setores, tem sido cada vez mais aceita em grupos crescentes de analistas; há exemplos históricos que mostram que essa abordagem, e não a busca da miragem do indefinido “desenvolvimento econômico”, funciona: o desafio de se mandar e trazer uma pessoa à Lua na década que então se iniciava, feito pelo Kennedy, e o Plano de Metas, com o qual Kubistchek transformou o Brasil.
Que a novidade vinda da Inglaterra se espalhe com rapidez e força, repetindo, ou mesmo superando, o que fizeram aqueles quatro rapazes que cantaram e encantaram o Planeta! Um dos quais, vale lembrar, nos pediu que imaginássemos um planeta sem motivos pelos quais morrer, ou matar!


