A novidade que vem da Inglaterra (por Eduardo Fernandez Silva)

Há pouco mais de seis meses, um jovem de 43 anos assumiu a liderança do partido Verde da Inglaterra e País de Gales.

atualizado

Compartilhar notícia

Leon Neal/Getty Images
Virada para 2026 em Londres
1 de 1 Virada para 2026 em Londres - Foto: Leon Neal/Getty Images

Neste planeta cheio, exaurido, com seis bilhões de pessoas paupérrimas e carentes de solidariedade, há que pensar políticas públicas que abordem exatamente esses problemas: o atulhamento, a exaustão das fontes e fossas planetárias, a miséria humana. Crenças antigas, cuja eficácia na redução desses problemas tem sido praticamente nula, não deveriam mais, como infelizmente ocorre, moldar as ideias de dirigentes de nações e de grupos que lhes dão suporte.

Há pouco mais de seis meses, um jovem de 43 anos assumiu a liderança do partido Verde da Inglaterra e País de Gales. Recentemente, fez pronunciamento sobre as diretrizes de um possível governo do seu partido. Disse que o foco não seria crescer o PIB. Seria baseado em “três perguntas muito simples: como tornar a vida mais acessível? Como apoiar a maioria solidária e não a elite rica? Como proteger nosso planeta para as gerações futuras?”

Chocou alguns, criou esperança noutros. A novidade fez crescer o número de filiados de 66.000 para 215.000 desde então, e o partido venceu recentes eleições regionais. O choque decorre de que ainda hoje é ampla a aceitação do mito de que fazer crescer o PIB melhora a vida das pessoas. Assim como séculos atrás a demonstração de que não é o Sol que gira em torno da Terra chocou muitos e abalou a estrutura de poder então dominante, questionar o mito que hoje orienta políticas é visto como insanidade, loucura até. Mesmo porque abala a atual estrutura de poder!

O senhor Zack Polanski, este o nome dele, disse outras verdades importantes. Por exemplo, afirmou que ao invés de focar no crescimento do PIB, seu governo priorizaria a saúde da população, a coesão social e o bem-estar das comunidades. Há algo errado nessas prioridades?

Questionado reiteradamente sobre o mesmo tema, se procuraria o crescimento da economia, respondeu que essa é uma maneira errada de colocar a questão. Lembrou que se uma empresa joga esgoto num rio e depois paga para limpá-lo, tecnicamente isso aumenta o PIB. Essa prioridade pode criar incentivos e consequências inesperadas. Ao contrário, defende, os governos deveriam construir políticas voltadas a “missões” mais amplas, tais como “enfrentar a emergência climática, reduzir as desigualdades, e melhorar a vida das pessoas”.

A ideia de “missões” a orientar as políticas públicas, envolvendo todos os setores, tem sido cada vez mais aceita em grupos crescentes de analistas; há exemplos históricos que mostram que essa abordagem, e não a busca da miragem do indefinido “desenvolvimento econômico”, funciona: o desafio de se mandar e trazer uma pessoa à Lua na década que então se iniciava, feito pelo Kennedy, e o Plano de Metas, com o qual Kubistchek transformou o Brasil.

Que a novidade vinda da Inglaterra se espalhe com rapidez e força, repetindo, ou mesmo superando, o que fizeram aqueles quatro rapazes que cantaram e encantaram o Planeta! Um dos quais, vale lembrar, nos pediu que imaginássemos um planeta sem motivos pelos quais morrer, ou matar!

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comBlog do Noblat

Você quer ficar por dentro da coluna Blog do Noblat e receber notificações em tempo real?