A inspiração da letra da música Gita

Raul Seixas e o diálogo entre o discípulo Arjuna e seu mestre Krishna

atualizado 23/06/2018 0:01

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Sempre fui fã de Raul Seixas e suas músicas. Tive grande surpresa em enfim entender a letra de “Gita”, a qual foi inspirada no seguinte trecho do livro sagrado hindu Bhagavad Gita, em um diálogo entre o discípulo Arjuna e seu mestre Krishna, uma das manifestações de Deus.

Confira: Lorde Krishna disse: Eu irei revelar o mais profundo conhecimento transcendental e o grande mistério transcendente, ó Arjuna, pois seu coração esta pronto e livre de contradições. O conhecimento de si mesmo é a coroação de todos os conhecimentos.

Tal conhecimento interno é o mais secreto dos conhecimentos. É profundamente sagrado, perceptível em seu todo somente com a ajuda da intuição, nos conduz ao reto caminho, uma vez compreendido é muito simples de ser praticado e, finalmente, é um conhecimento que reside além do tempo.

Ó Arjuna, aqueles que não tem fé neste conhecimento não conseguem chegar ate mim, e permanecem andando em círculos, através dos ciclos de nascimento e morte. Eu sou o menor dos menores e o maior dos maiores, tanto no que existe no tempo quanto no que é eterno.

Contemple o meu mistério divino, ó príncipe: Não pense que eu seja somente o universo conhecido, nem o que lhes resta conhecer. Eu sou aquele que tudo sustenta, aquele que tudo mantém, aquele que tudo preenche, mas eu não sou encerrado e limitado em “tudo”.

Assim como as brisas percorrem mundo inteiro sem serem percebidas e sem jamais deixarem de ser o “ar”, da mesma forma tudo o que há sopra em todo o universo, sem que nem uma pequena parte jamais deixe de existir dentro de mim, nem jamais deixe de ser o “tudo”.

Ó Arjuna, reflete bem sobre esse mistério! Através da minha natureza material, eu moldo todas as coisas, todos os seres e todas as formas. É a minha vontade de imaginar o que lhes dá existência, a natureza por si só é impotente para tal.

Todas essas obras de imaginacão, entretanto, não me mantem preso, ó príncipe, pois eu permaneço desapegado e indiferente embora presente em tudo o que existe. Atenta que é cumprida a minha vontade que a natureza material gera e extermina, dando origem aos seres e às coisas inanimadas.

É assim que todo universo se move. Os ignorantes me desprezam quando eu me revelo através de uma forma humana, pois eles não conhecem a minha natureza transcendental, e mal fazem ideia de que eu sou a grande essência presente em todos os seres. Assim, eles me tomam por uma pessoa comum.

Por serem egoístas em suas esperanças e ações, tolos em seu saber o conhecimento, eles habitam os charcos inferiores da consciência humana, onde predominam o engano e a brutalidade. É assim que passam por mim e no entanto, não me reconhecem.

Mas as almas grandiosas, ó Arjuna, que buscam desenvolver sua consciência superior, vivem unificadas a mim, e me dedicam suas vidas de todo o coração. Tais sábios me reconhecem em toda parte, como o que há de imutável, infinito e eterno – a origem de tudo!

Com firme determinação, eles me dedicam devoção inabalável, e em cada passo do caminho cantam minhas glorias, me tendo sempre como o alvo final de sua longa jornada. E há outros que me buscam através da aquisição de conhecimento transcendental, contemplando em todas as coisas a minha unidade e a minha natureza eterna.

Eu sou o ritual e também o sacrifício. Eu sou a oferenda, eu sou a erva, eu sou todos os mantras, eu sou todo o perfume, e também o fogo que consome o sacrifício. Eu sou o eixo que sustenta o universo, o pai, a mãe e o avô. Eu sou o objeto do verdadeiro conhecimento.

Eu sou a sílaba sagrada AUM, e todos os vedas. Eu sou o início e o fim do caminho. Eu sou o criador e também aquele que a tudo sustenta. Eu sou o juiz e a testemunha. Eu sou a mansão e o abrigo. Eu sou o refugiado e o amigo.

Eu sou o princípio e o fim. A origem, a fundação e a destruição. A substância e a semente eterna, que jamais deixará de dar frutos. Eu oferto o calor e a luz do sol. Eu comando e retenho a chuva. Eu sou tanto a morte, quanto a imortalidade. Eu sou tudo o que existe no tempo e, não obstante, eu sou sempre um e o mesmo, ó Arjuna.

Bom final de semana a todos.

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