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Saúde

Estudo descobre uma possível ligação genética entre câncer e Alzheimer

Pesquisa identifica alterações genéticas em células imunes do cérebro e abre uma nova linha de investigação sobre a doença de Alzheimer

Isabella França12/06/2026 13:29, atualizado 12/06/2026 13:36
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PALMIHELP/Getty Images
Ilustração colorida de cérebro humano - Metrópoles

Pesquisadores identificaram uma possível ligação entre alterações genéticas associadas a cânceres do sangue e mecanismos envolvidos na doença de Alzheimer. A descoberta foi publicada na última quinta-feira (11/6) na revista científica Cell e ajuda a compreender melhor o papel da inflamação no cérebro durante o avanço da doença.

O estudo liderado por cientistas americanos, analisou amostras de tecido cerebral para investigar como células de defesa do organismo se comportam em pessoas com Alzheimer. Os resultados não indicam que o câncer causa a doença.

Na verdade, os pesquisadores encontraram mutações genéticas que são conhecidas por aparecer em alguns cânceres do sangue, mas que também podem surgir naturalmente ao longo do envelhecimento, mesmo em pessoas que nunca desenvolveram câncer.

Para realizar a pesquisa, os autores estudaram 311 amostras de cérebro utilizando técnicas avançadas de sequenciamento genético. A investigação se concentrou em 149 genes frequentemente relacionados ao câncer e a um fenômeno comum do envelhecimento chamado hematopoiese clonal. Nessa condição, algumas células do sangue acumulam alterações genéticas ao longo da vida e passam a se multiplicar mais do que outras.

Ao comparar as amostras, os pesquisadores observaram que cérebros de pessoas com Alzheimer apresentavam maior quantidade de mutações adquiridas durante a vida. Entre os genes mais frequentemente alterados estavam TET2, DNMT3A e ASXL1, já conhecidos por sua participação em cânceres hematológicos e em processos ligados ao envelhecimento celular.

A participação das células de defesa

Um dos achados que mais chamou a atenção envolveu as micróglias, células responsáveis pela defesa do cérebro. Normalmente, elas ajudam a eliminar resíduos, combater ameaças e manter o funcionamento adequado do sistema nervoso.

No Alzheimer, porém, podem permanecer ativadas por períodos prolongados, favorecendo processos inflamatórios que contribuem para danos aos neurônios.

Durante a pesquisa, os cientistas identificaram que parte das mutações encontradas nas células imunes presentes no cérebro também aparecia em amostras de sangue dos mesmos indivíduos. A observação sugere que algumas células de defesa originadas no sangue podem migrar para o cérebro e participar da resposta inflamatória associada à doença.

Segundo os autores, as células com mutações apresentaram sinais de maior atividade inflamatória e maior capacidade de multiplicação quando comparadas às células sem alterações genéticas.


O que é o Alzheimer?

  • O Alzheimer é uma doença que afeta o funcionamento do cérebro de forma progressiva, prejudicando a memória e outras funções cognitivas.
  • Ainda não se sabe exatamente o que causa o problema, mas há indícios de que ele esteja ligado à genética.
  • É o tipo mais comum de demência em pessoas idosas e, segundo o Ministério da Saúde, responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil.
  • O sinal mais comum no início é a perda de memória recente. Com o avanço da doença, surgem outros sintomas mais intensos, como dificuldade para lembrar de fatos antigos, confusão com horários e lugares, irritabilidade, mudanças na fala e na forma de se comunicar.

A principal contribuição do estudo é revelar um possível mecanismo biológico que conecta o envelhecimento das células do sangue à inflamação observada no cérebro de pessoas com Alzheimer.

Os resultados indicam que mutações adquiridas ao longo da vida podem influenciar o comportamento das células de defesa e, consequentemente, afetar processos relacionados à neurodegeneração.

Apesar da relevância da descoberta, os próprios pesquisadores destacam que o trabalho não demonstra uma relação direta de causa e efeito. Novos estudos serão necessários para confirmar se as células portadoras dessas mutações realmente aceleram a progressão da doença.

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