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Antes da premiação do troféu Candango, a cerimônia de encerramento do 49° Festival de Brasília começou com apresentações e homenagens. Aos 80 anos, Jean-Claude Bernardet recebeu a medalha Paulo Emílio Salles Gomes, homenagem criada nesta edição, do secretário de Cultura Guilherme Reis e de Eduardo Valente, curador do festival em 2016. Enquanto subia ao palco, Bernardet foi ovacionado de pé pela plateia. Ele ainda fez uma brincadeira, fingindo reger os aplausos.

Bernardet colocou a medalha no peito e falou ao público do Cine Brasília. “Essa medalha resume minha vida. Porque ela começou realmente quando encontrei Paulo Emílio, em 1958, na Cinemateca Brasileira”, disse. “Ele criou uma instituição que floresceu graças à luta constante dele”.

O ator e crítico lamentou o estado de instabilidade atual da Cinemateca. “Em 1965, essa Semana de Cinema Brasileiro (antigo nome do festival) se tornou uma área de resistência onde as pessoas lutavam cultural e politicamente. De golpe a golpe, estamos novamente com um festival que reata com a sua vocação original de resistência e política”.

“Mas estamos dentro de uma bolha, uma realidade lá fora nos oprime. Tem que ser um embrião de manifestação dos profissionais do audiovisual”, terminou.

A homenagem a “Baile Perfumado”
Os diretores Paulo Caldas e Lírio Ferreira subiram ao palco para apresentar “Baile Perfumado” vinte anos após o prêmio de melhor filme no festival. Com camisas de “Fora, Temer”, foram ovacionados pelo público.

Daniel Ferreira/Metrópoles

Ferreira falou sobre a inquietude que o filme provocou em outras gerações. “Tomara que essa inquietude também nos ajude a jogar uma luz nesse país”, disse. “É muito bacana estar nessa sala revivendo aquela sessão histórica. O projecionista, Marcão, ainda é o mesmo!”, continuou Ferreira.

Caldas chamou o Cine Brasília de “sala de parto” do longa. “Quando começamos, fazia 20 anos que não era rodado um longa em Pernambuco. Ele serviu de exemplo de que é possível num país pobre realizar filmes. É uma emoção incalculável saber que o filme ainda tem frescor e está aqui sendo exibido”, disse o cineasta.

Caldas alertou para o momento político do Brasil. “Todos os filmes levam o selo da Ancine. E ele pode desaparecer por causa desse governo. O cinema é do povo brasileiro”, completou.

A Orquestra Popular Marafreboi abriu a sessão com a música “A Praieira”, de Chico Science, em referência ao filme pernambucano “Baile Perfumado”, que completa 20 anos em 2016.

 

 

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