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Promotores do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) estão nas ruas do Distrito Federal desde as primeiras horas desta segunda-feira (17/10) para cumprir mandados de busca e de condução coercitiva no âmbito da Operação Drácon, que apura suposto esquema de corrupção na Câmara Legislativa. Desta vez, os alvos são Sandro Vieira e Alexandre Braga Cerqueira, ex-assessores dos distritais Celina Leão (PPS) e Bispo Renato (PR). Eles serão obrigados a prestar depoimento. Os policiais também fizeram buscas na casa de Sandro, em Águas Claras, e em uma lotérica no Jardim Botânico, da qual Cerqueira é sócio.

A motivação para a terceira fase é a suspeita de que Sandro e Alexandre estariam escondendo provas para dificultar as investigações. Eles foram flagrados por câmeras de segurança saindo com caixas dos gabinetes da Mesa Diretora da Casa dias antes da primeira etapa da Drácon, deflagrada em 23 de agosto. Os mandados foram autorizados pelo relator do caso no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), desembargador José Divino.

Alexandre Cerqueira é apontado como um dos principais personagens do suposto esquema de pagamento de propina na Câmara Legislativa. O ex-servidor chegou a ser intimado pelo MPDFT a prestar depoimento em 22 de agosto. Antes de sua exoneração, exercia cargo de confiança indicado por Bispo Renato.

De acordo com matéria publicada pelo Metrópoles, Cerqueira mantinha uma rotina empresarial ativa, além de suas atribuições na Câmara.  Ele já havia sido proprietário de um lava jato, é sócio de uma lotérica e de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), chamada Associação Escola da Família (AEF). Porém, no endereço de registro da entidade, em Planaltina, funciona uma igreja evangélica.

GUILHERME WALTENBERG/METRÓPOLES

Lotérica de Alexandre Cerqueira no Jardim Botânico

Sandro Vieira era braço direito de Celina Leão. Também foi fiel escudeiro da ex-deputada Eurides Brito, que acabou alijada da carreira política após ser filmada por Durval Barbosa, delator da Caixa de Pandora, enfiando maços de dinheiro na bolsa, fruto de corrupção. Em 2005, na CPI da Educação, Sandro chegou a ser indiciado por sonegação fiscal e crimes contra a ordem tributária.

Ele ocupava o cargo de secretário legislativo na Câmara, mas foi exonerado, a pedido, em 30 de agosto, depois da Drácon. Com salário de R$ 12 mil, o servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ), cedido à Casa, foi nomeado para um cargo de menor expressão, de assessor, com vencimentos de R$ 6.666,22.

Memória
A primeira fase da Operação Drácon foi deflagrada em 23 de agosto deste ano e resultou no afastamento de toda a Mesa Diretora da Câmara Legislativa. A Polícia Civil e o MPDFT apuram esquema de pagamento de propina a distritais envolvendo emendas da saúde.

A segunda etapa ocorreu em 2 de setembro, na Câmara Legislativa, e foi motivada por fortes indícios de que houve queima de arquivo por parte de deputados distritais e servidores da Casa, com o objetivo de destruir provas que comprovassem a existência de um esquema de propina para a destinação de emendas parlamentares.

“Na primeira vez, sabíamos que ela (Liliane Roriz) havia fornecido informações e, por isso, fomos nos locais necessários. Agora (na segunda fase), temos que constatar o que sumiu da Vice-Presidência”, explicou, à época, o promotor de Justiça Clayton Germano, que integra a força-tarefa criada pelo MPDFT para apurar os grampos feitos pela filha do ex-governador Joaquim Roriz, quando ainda ocupava o segundo cargo mais importante da Câmara.

Nota
Em nota, o deputado Bispo Renato disse não ter conhecimento de nenhum ato ilícito envolvendo Alexandre Cerqueira. “O distrital reafirma sua inocência e reitera que as acusações contra ele são infundadas. O esclarecimento dos fatos é necessário e se dará no momento certo. Bispo Renato Andrade está concentrado em sua defesa e à disposição da Justiça.”

(Aguarde mais informações)

 

 

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