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O Centro de Ensino Médio Setor Leste é o melhor colégio público do Distrito Federal mantido pela Secretaria de Educação. De acordo com levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), feito a partir das médias obtidas pelos alunos nas provas objetivas e na redação do Exame Nacional do Ensino Médio 2015, a instituição teve média geral de 551, o que rende a ela o 1º lugar no ranking elaborado pelo Metrópoles.

Localizado na 611/612 Sul, o Setor Leste fica atrás apenas do Colégio Militar de Brasília (621) e do Colégio Dom Pedro II (612). As duas escolas militares também são consideradas públicas, mas não são mantidas com recursos da Secretaria de Educação. O CMB conta com recursos federais e o Dom Pedro II é do Corpo de Bombeiros e tem como mantenedora a Associação de Pais e Mestres (Apam), que faz a gestão dos recursos. Além disso, ambos fazem seleção para o ingresso dos estudantes.

Para a ex-diretora do Setor Leste e atual coordenadora da Regional de Ensino do Plano Piloto/Cruzeiro⁠⁠⁠⁠, Ana Lúcia Marques, o bom resultado deve-se ao compromisso coletivo e de um trabalho conjunto entre as equipes. “Acredito que o bom resultado da escola deve-se, primeiro, a Deus, que muito tem abençoado a escola. Além disso, nossos frutos são mérito desde as equipes terceirizadas, que nos apoiam na limpeza, aos professores comprometidos, aos alunos e familiares. Todos unidos em torno de um único objetivo: o sucesso de nossos estudantes”, ressaltou.

No entanto, mesmo com o bom resultado local, se for considerado o ranking nacional, o Setor Leste está na 4.242ª colocação, entre os 14.998 colégios que fizeram parte da análise do Inep. Está distante ainda 182 pontos da primeira particular colocada – o Colégio Olimpo. Para o presidente da Comissão de Educação, Saúde e Cultura da Câmara Legislativa, deputado Reginaldo Veras (PDT), a realidade ocorre por uma série de fatores.

Entre eles, o fato de que o objetivo da escola da rede pública não é preparar o aluno para o Enem. “A escola pública está preocupada com a formação plena, com a cidadania, é uma questão de objetivo. Una-se a isso problemas tradicionais das escolas públicas, como a falta de professor, falta de infraestrutura, profissionais desmotivados”, afirmou o distrital.

Para ele, é preciso trabalhar objetivos específicos para melhorar os resultados. “Vai ter técnica para fazer prova? Trabalharemos com o Enem? Vamos corrigir problemas históricos das escolas? Tudo isso precisa ser definido e colocado em prática”, acredita.

Editoria Arte/Metrópoles

Condições socioeconômicas
A presidente do Inep, Maria Inês Fini, faz uma análise ampla dos dados, mas que também se enquadra no cenário do DF. Para ela, as disparidades entre colégios privados e públicos e os grupos socioeconômicos demonstram a necessidade de mudança no ensino médio. “As avaliações mostram que a reforma do sistema é imperiosa. Atualmente, o ensino médio é muito tradicionalista. É preciso dar um ensino público mais acolhedor, que ofereça experiências de vida significativa. Essas estratégias já têm sido implementadas com sucesso em escolas principalmente particulares”.

A disparidade também foi ressaltada pela secretária-executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Castro. “A diferença nas provas entre alunos de classe muito alta e média foi superior a 100 pontos. Isso mostra a enorme desigualdade de ensino no país. Isso sem contar o fator de auto exclusão de boa parte dos estudantes de classes baixas que sequer se inscrevem no Enem”.

Quantidade de alunos
O secretário de Educação do DF, Júlio Gregório, enfatiza que os colégios com melhor classificação têm poucos alunos matriculados e selecionam quem entra na instituição. Uma realidade impossível para as escolas da rede pública, que são inclusivas e são obrigadas a matricular todos que as procuram, como prevê a Constituição Federal. “O que temos que ter clareza é que o Enem não é um processo de avaliação da escola, mas de avaliação do conhecimento do aluno. É diferente do Ideb, que tem elementos de avaliação. É um indicador, claro”, ponderou.

Gregório ressaltou ainda que as 10 primeiras escolas públicas mais bem colocadas do DF tiveram aumento nas médias com relação a 2014. “Temos trabalhado, oferecemos simulado, mas a mudança de desempenho desse bloco de escolas não tem a velocidade que a gente deseja. A escola particular tem muito mais agilidade”, afirmou o secretário.

 

 

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