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O apresentador do Jornal Nacional William Bonner publicou uma foto do seu já falecido pai na manhã desta quinta-feira (1º/2). Com uma terna legenda, ele afirmou que o clique foi achado por acaso em seu celular.

“Meu pai, no finzinho de sua passagem, fazendo o que aprendeu ainda menino: lendo jornal”, escreveu o jornalista. Pouco tempo depois, Bonner fez uma nova postagem. Mas, dessa vez, o texto chegou em tom de desabafo.

A imagem mostrava uma pessoa que, seguidamente, era bloqueada por ele no Instagram devido a comentários maldosos. A usuária insistia em fazer novas contas para continuar com as agressões. “A pessoa me insulta desde o anúncio do fim de meu casamento, há ano e meio. Eu a bloqueio”, começou o texto.

O profissional da Globo, então, diz que a seguidora já desejou que ele morresse “de forma lenta e dolorosa”, mas que ela foi longe demais ao “desrespeitar um registro da memória de meu pai. É muito feio. É perverso. Doentio”.

A partir daí, ele questiona sobre os limites do ódio na internet, perguntando-se: “Será que essa agressividade desmedida se esgotará sempre no ambiente caótico de um espaço pra comentários? Ou devo dar atenção à ameaça de me agredir fisicamente na rua? Será que sou o único alvo da ira patológica dessa pessoa? Ou ela cria perfis fakes seguidamente pra perseguir outras?”

Leia o texto completo: 

A pessoa cria outro perfil. E insulta meus seguidores em comentários infantis, mas grosseiros. Eu bloqueio. A pessoa cria outro perfil. Manifesta o desejo de que eu morra. E de forma lenta e dolorosa. Alguns seguidores ficam horrorizados, envolvem-se em discussões, acabam sendo desrespeitados. Eu a bloqueio. E bloquearei sempre. É do jogo.

E a pessoa cria mais um perfil pra ultrapassar todos os limites, ao desrespeitar um registro da memória de meu pai. É muito feio. É perverso. Doentio. Eu bloqueio mais uma vez. A vigésima-terceira, se não errei as contas. Talvez tenha sido a vigésima-nona. Mas compartilho uma preocupação.

Será que essa criatura tem alguma interação com seres humanos no mundo real? Ou se trata de alguém profundamente doente e só? Será que essa agressividade desmedida se esgotará sempre no ambiente caótico de um espaço pra comentários? Ou devo dar atenção à ameaça de me agredir fisicamente na rua? Será que sou o único alvo da ira patológica dessa pessoa? Ou ela cria perfis fakes seguidamente pra perseguir outras?

A gente costuma acreditar que o desprezo é a arma adequada contra haters. Mas, hoje, ao me deparar com os comentários na foto de meu pai, essas questões todas ganharam dimensão, pra mim. E achei que talvez fosse o caso de provocar alguma reflexão entre os que acham que pra tudo existem limites. Ou deveriam existir. Segue o jogo.