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Alzheimer: pesquisa aponta gene associado a mais de 90% dos casos

Estudo com grandes bancos de dados genéticos revisa o peso das variantes hereditárias no Alzheimer

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Imagem digital do cérebro humano gerado por inteligência artificial - IMC alto está associado a maior risco de demência, aponta estudo - Metrópoles
1 de 1 Imagem digital do cérebro humano gerado por inteligência artificial - IMC alto está associado a maior risco de demência, aponta estudo - Metrópoles - Foto: Andriy Onufriyenko/Getty Images

Mais de 90% dos casos de Alzheimer podem estar ligados a variações específicas de um único gene. Essa é a principal conclusão de um novo estudo que analisou dados genéticos de quase meio milhão de pessoas e reforça a importância do gene APOE no desenvolvimento da doença.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do University College London, no Reino Unido, e publicada na revista NPJ Dementia em 9 de janeiro.

O trabalho propõe uma mudança relevante na forma como o risco genético para o Alzheimer é compreendido e reforça o potencial de estratégias de prevenção e tratamento voltadas a esse gene.

Papel do gene APOE no risco de Alzheimer

O gene APOE já é conhecido há décadas por sua relação com o Alzheimer. Ele existe em três versões principais chamadas E2, E3 e E4. A variante E2 costuma estar associada a um efeito protetor, enquanto a E4 aumenta de forma significativa o risco da doença. Até agora, a E3 era considerada neutra.

Ao analisar quatro grandes bancos de dados genéticos, os pesquisadores observaram que essa visão era incompleta. A variante E3, presente em cerca de 75% da população, também contribui para o risco da doença e ajuda a explicar por que o APOE está envolvido em uma parcela tão grande dos casos.

“Ao considerarmos conjuntamente as contribuições das variantes E3 e E4, fica claro que o APOE pode estar envolvido em quase todos os casos de Alzheimer”, afirma o epidemiologista genético Dylan Williams, da UCL, em comunicado.

Por que a combinação genética importa

Cada pessoa herda duas cópias do gene APOE, uma de cada progenitor. Isso gera seis combinações possíveis, que vão desde perfis mais protetores até aqueles associados a risco elevado.

Pessoas com a combinação E4/E4 apresentam o maior risco conhecido, enquanto E2/E2 está ligada à menor probabilidade de desenvolver a doença.

Essas combinações não alteram apenas o risco estatístico. Elas mudam a estrutura e o funcionamento da proteína produzida pelo gene, o que influencia processos cerebrais essenciais, como reparo de neurônios, controle da inflamação e eliminação de placas de beta-amiloide, um dos principais marcadores do Alzheimer.

“A variante E4 é amplamente reconhecida como prejudicial, mas grande parte dos casos não ocorreria sem o impacto adicional do alelo E3, que costuma ser tratado como neutro”, explica Williams.

Implicações para prevenção e tratamento

Os autores defendem que o peso do gene APOE na doença pode ter sido subestimado até agora. Segundo as estimativas do estudo, quase metade de todos os casos de demência também pode ser atribuída a esse gene, não apenas ao Alzheimer.

“Intervir diretamente no APOE ou nas vias moleculares que conectam o gene à doença pode ter um potencial preventivo e terapêutico muito maior do que se imaginava”, diz Williams.

Para ele, o volume de pesquisas e de tentativas de desenvolvimento de medicamentos ainda não reflete a importância real do gene.

Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que o risco genético não atua sozinho. Fatores como obesidade, isolamento social, distúrbios do sono e outros aspectos do estilo de vida também influenciam o desenvolvimento da doença e interagem de maneira complexa com a genética.

“Em doenças complexas como o Alzheimer, não existe uma única solução. Mas entender melhor o papel central do APOE amplia o leque de estratégias possíveis para reduzir o risco ao longo da vida”, afirma Williams.

Os autores ressaltam que o estudo não sugere que o Alzheimer tenha uma causa única, mas indica que, sem a contribuição das variantes E3 e E4 do APOE, a maioria dos casos provavelmente não se desenvolveria. Essa constatação pode redefinir prioridades na pesquisa sobre a doença nos próximos anos.

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