Butão adia vacinação contra Covid-19 à espera de data astrológica

Imunizantes foram doados pela Índia, mas governo decidiu esperar mais de um mês para aplicar as doses na população

atualizado 14/04/2021 13:02

Vacina AstraZenecaJoaquin Gomez Sastre/NurPhoto via Getty Images

Em janeiro, o Butão, um pequeno país asiático, recebeu 150 mil doses da vacina de Oxford/AstraZeneca como doação feita pela Índia — as duas nações são vizinhas. Porém, apesar de terem em mãos os imunizantes tão desejados pelo mundo inteiro, as autoridades sanitárias decidiram esperar por uma data astrológica para começar a campanha de vacinação.

Segundo os monges budistas, a população só poderia ser imunizada a partir de 13/3. Enquanto se esperava a data, o país recebeu mais um carregamento de 400 mil doses. Apenas em 23/3, os monges deram o sinal verde para o início da vacinação, mas não sem alguns rituais.

A campanha só pôde começar às 9h30 da manhã, a primeira pessoa a receber a vacina foi uma mulher que nasceu no ano do macaco e a dose foi administrada por uma enfermeira que nasceu no mesmo ano. Cantos budistas foram entoados e lanternas foram acesas.

Em duas semanas, 93% da população adulta do Butão (472 mil pessoas) foi imunizada com a primeira dose. Pessoas de 18 a 104 anos foram imunizadas, e times tiveram que atravessar as montanhas do Himalaia para entregar doses para seis vilarejos. Helicópteros foram usados para levar a vacina a comunidades isoladas pela neve.

O rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck afirmou que só receberá a vacina depois que todas as pessoas do país forem imunizadas, o que tem agilizado a campanha — a população quer se vacinar logo, para que o rei seja protegido o mais rápido possível.

A vacinação rápida foi essencial para pressionar a Índia, já que agora é preciso entregar a remessa de imunizantes para a segunda dose.

Saiba como as vacinas contra Covid-19 funcionam:

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