Sindicato cogita falha de manutenção em descarrilamento na Linha 4
Trem da Linha 4-Amarela saiu dos trilhos e afetou a operação do metrô na manhã desta terça-feira (9/9). Não há registro de feridos
atualizado
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A Federação Nacional dos Metroferroviários (Fenametro) criticou o episódio em que um trem da Linha 4-Amarela descarrilou, na manhã desta terça-feira (9/9), causando caos no metrô de São Paulo. Em nota, a entidade questionou “se houve falha de manutenção como causa ou consequência do acidente”.
O trem, operado pela concessionária ViaQuatro, saiu dos trilhos na altura da estação São Paulo-Morumbi, e passageiros tiveram seu trajeto afetado a caminho do trabalho. Alguns usuários relataram viagens de mais de duas horas em seus percursos.
Para Alan Santana, vice-presidente da federação, o rompimento do trem e os trilhos danificados levantam dúvidas sobre as responsabilidades da empresa privada pelo ocorrido. Imagens registradas nas redes sociais mostram trilhos danificados no trecho afetado e passageiros assustados no interior do trem que descarrilou.
Mesmo sem registros de feridos, Santana destaca que o incidente expõe os riscos da privatização do Metrô. Ele afirma que a ausência de um operador na cabine do trem, característica da automatizada Linha 4-Amarela, “também deve ser questionada, pois poderia ter evitado o pior”.
Procurada pelo Metrópoles, a ViaQuatro afirmou que as causas do acidente ainda não foram identificadas e o caso passa por investigação. Por enquanto, o trecho que liga as estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia segue sem operar e está sendo feito com ônibus do Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência (Paese).
“A população exige apuração profunda e transparente, para que se conheça a causa concreta. O que se vê é que, em apenas 15 anos de operação, a ‘linha modelo’ já apresenta desgaste grave e superlotação, evidenciando que a lógica da concessão não prioriza a segurança, mas o lucro”, afirmou Santana.
A ViaQuatro não quis comentar as críticas da Fenametro.
Já o Sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo emitiu um comunicado no qual se solidarizou com os funcionários e passageiros, além de cobrar uma apuração rigorosa das causas do descarrilamento.
“Este é um grave indicente que assustou e atrasou milhares de pessoas e desafiou centenas de metroviários a conduzir essa difícil situação”, diz a nota.
Caos na Linha 4
Os trens circularam com operação parcial, apenas no trecho entre as estações Luz e Paulista, na manhã desta terça. Segundo a ViaQuatro, o trem circulava entre as estações Vila Sônia e São Paulo-Morumbi, no sentido Luz, quando saiu dos trilhos, por volta das 10h.
Os passageiros foram retirados da composição e receberam atendimento de agentes. Oficialmente, no entanto, a empresa disse que não há registro de feridos.
Às 19h40, a empesa enviou uma atualização sobre a situação dos trens. “A ViaQuatro informa que às 18h39 o trem foi encarrilado e a concessionária inicia o trabalho de desobstrução da via. A equipe segue empenhada para restabelecer a operação com a maior brevidade e os trabalhos de manutenção seguirão de forma ininterrupta durante a madrugada. Ônibus da operação PAESE permanecem atendendo à população entre os trechos Vila Sônia – Profª Elisabeth Tenreiro e São Paulo – Morumbi. O serviço de ônibus da concessionária, que atende o trecho entre o Terminal Vila Sônia e Taboão da Serra, segue estendido até a Estação São Paulo – Morumbi. Orientamos aos nossos clientes que acompanhem o status da operação nos canais oficiais da concessionária – site, app e instagram.”
A Linha 4-Amarela é considerada a mais moderna do Brasil por causa de suas inovações tecnológicas. Seus trens não têm cabines e circulam no sistema driverless, ou seja, sem condutor. A operação é feita remotamente, a partir de um Centro de Controle Operacional.
O número de viagens, o tempo de abertura das portas e até a inclusão de mais trens na linha são estabelecidos a distância, de acordo com a demanda de passageiros.
A Linha 4-Amarela também foi a primeira do país a ter em todas as estações divisórias de vidro que separam a plataforma dos trilhos, impedindo o acesso dos usuários à via.
















