Ministério da Cultura repudia derrubada do Teatro de Contêiner
Prefeitura de São Paulo iniciou, nesse sábado (21), a remoção da estrutura do Teatro de Contêiner. Ação ocorre em meio a batalha judicial
atualizado
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O Ministério da Cultura (MinC) e a Fundação Nacional de Artes (Funarte) repudiaram, por meio de nota, a derrubada do Teatro de Contêiner, no centro da capital paulista. A estrutura começou a ser removida do endereço onde ficou por 10 anos, nesse sábado (21/3), pela Prefeitura de São Paulo.
A ação ocorre em meio à batalha judicial travada entre a gestão Ricardo Nunes (MDB) e a Cia. Mungunzá, responsável pelo teatro.
“O Teatro de Contêiner e a Cia Mugunzá são referências nacionais e internacionais, devem ser protegidos, fomentados, e não destruídos. Teatro não se derruba!”, disseram na nota.
O MinC e a Funarte manifestaram sua perplexidade com o início das intervenções, ressaltando ainda ser “estarrecedor que o fato aconteça às vésperas do Dia Mundial do Teatro, celebrado na próxima sexta, 27 de março”.
Embate entre Prefeitura e Teatro de Contêiner
- O impasse entre a Prefeitura de São Paulo e a Companhia Munguzá começou em maio de 2025, quando artistas do Teatro de Contêiner foram surpreendidos por uma notificação extrajudicial de despejo com prazo de 15 dias para desocupação do terreno.
- Em setembro do ano passado, a Justiça de São Paulo deu 90 dias para que a companhia deixasse o endereço na Rua dos Gusmões.
- Além dos custos da mudança, a Cia. Mungunzá se preocupa com o risco de um novo despejo no endereço oferecido pela Prefeitura, localizado na Rua Helvétia, nos Campos Elíseos.
- De acordo com o grupo de teatro, foi solicitada a cessão do terreno por 30 anos, mas a contraproposta foi de dois anos.
- Em agosto passado, um protesto de artistas ligados ao teatro terminou em confronto com agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
- Em janeiro deste ano, a 5ª Vara da Fazenda Pública decidiu que a Cia. Munguzá, responsável pelo teatro, perdeu o prazo para deixar o local. Com isso, no dia 15 do mês, a Prefeitura iniciou a retomada do terreno.
“Desde a total interdição do Teatro, em janeiro de 2026, o MinC e a Funarte vêm solicitando à Prefeitura de São Paulo que retome as negociações com a Cia Mugunzá para a reinstalação do Teatro de Contêiner em outro terreno municipal, como já havia sido pactuado. Lamentavelmente, a Prefeitura tem se mantido irredutível em apresentar qualquer alternativa para a permanência das atividades do Teatro de Contêiner”, afirmaram os órgãos.
Ainda de acordo com a nota, as atividades de criação e apresentações de espetáculos da Cia Mugunzá estão sendo acolhidas no Complexo Cultural Funarte São Paulo. O Governo Federal, por meio da Superintendência do Patrimônio da União, está empenhado, diz, na busca de um terreno de sua propriedade que possa ser cedido para a reconstrução do Teatro.
A Prefeitura de São Paulo informou que reintegrou a área ocupada irregularmente por quase uma década pelo Teatro de Contêiner cumprindo decisão judicial. Segundo a gestão municipal, a Cia Mugunzá já havia retirado do local todos os equipamentos, mobiliários e pertences que teve interesse. A área foi destinada para construção de empreendimento habitacional e área de lazer.
Ao Metrópoles, Marcos Felipe, ator e produtor da Cia. Mungunzá, afirmou que não se sabe o que vai acontecer com os contêineres. Marcos afirma que o teatro foi erguido em 2016 com recursos próprios da companhia, num investimento de cerca de R$ 300 mil à época. Ele diz que não entende por que a Prefeitura “gastou recursos públicos para destruir o teatro e não levar ele pra rua Helvétia”.
