Bolsa brasileira tem maior entrada de dinheiro estrangeiro desde 2022
No primeiro trimestre, saldo de recursos vindos do exterior atingiu R$ 53,83 bilhões. Entrada de investimentos perdeu fôlego em março, porém
atualizado
Compartilhar notícia

O investidor estrangeiro manteve o protagonismo na Bolsa brasileira (B3) no início de 2026. Os dados consolidados mostram que eles foram responsáveis pelo aporte líquido de R$ 53,83 bilhões (considerando IPOs e follow-ons) no primeiro trimestre deste ano, um patamar que não era visto desde o primeiro trimestre de 2022, quando o volume havia alcançado R$ 69,02 bilhões.
“Mais do que o saldo, o que chama atenção é a intensidade da atividade”, diz Einar Rivero, da consultoria Elos Ayta. “O volume negociado em março ultrapassou a marca de R$ 500 bilhões, com R$ 512,8 bilhões em compras e R$ 501,1 bilhões em vendas, indicando não apenas entrada líquida, mas também um aumento relevante na rotação de portfólio.”
Quando se excluem os efeitos das ofertas públicas de ações (IPOs, na sigla em inglês) e follow-ons (quando a empresa realiza nova venda de papéis), um termômetro mais fiel do fluxo no mercado secundário, o saldo do primeiro trimestre de 2026 fica em R$ 53,36 bilhões. “Trata-se do melhor resultado desde 2022, quando o ano cheio registrou R$ 100,82 bilhões”, afirma Rivero.
Perda de fôlego
O trimestre, no entanto, nota o analista, não foi linear. Janeiro liderou com folga, registrando entrada de R$ 26,47 bilhões. Fevereiro e março vieram na sequência com volumes mais moderados. Em fevereiro, ele atingiu R$ 15,4 bilhões e, em março, R$ 11,9 bilhões (considerando IPOs e follow-ons), marcando o segundo mês consecutivo de desaceleração.
A participação dos estrangeiros no volume financeiro da Bolsa de Valores é de cerca de 60%. Os investidores institucionais (pessoa jurídica que administra grandes volumes de capital de terceiros) detêm aproximadamente 20% e os individuais, 10%. O restante é dividido entre instituições financeiras e outros tipos de aportes.
