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Mundo

Lula se reúne com Macron em meio a resistências ao acordo Mercosul-UE

Presidentes do Brasil e da França têm agenda bilateral nesta quinta às margens da 4ª Cúpula de Impacto em Inteligência Artificial, na Índia

19/02/2026 02:00, atualizado 19/02/2026 06:49
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Ricardo Stuckert / PR
Lula e Macron tiveram uma reunião em Belém

Nova Déli — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai se reunir, nesta quinta-feira (19/2), com o líder da França, Emmanuel Macron, às margens da 4ª Cúpula de Impacto em Inteligência Artificial, na Índia. O encontro ocorre no momento em que o Legislativo de países do Mercosul e da União Europeia (UE) analisam o acordo de livre comércio entre os blocos. A França é crítica à proposta.

Os líderes conversaram pela última vez no final de janeiro. De acordo com o Palácio do Planalto, Lula teria defendido a importância do tratado para a defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras. Dias após o diálogo, Macron fez críticas ao texto.

Na visão do presidente francês, o acordo traz um bom “sinal geopolítico”, mas está “desatualizado” e é “mau negócio”. O temor da França é de que a entrada de produtos sul-americanos no mercado europeu impacte o setor agropecuário da região. Em negociação há mais de 20 anos, o tratado cria uma zona de livre comércio entre os dois blocos, facilitando as condições de comércio.

Apesar das divergências em torno do pacto, os dois líderes mantêm uma boa relação, e o encontro deve ter uma agenda ampla, com temas bilaterais e globais.


O acordo

  • O acordo entre os dois blocos é considerado um dos principais feitos internacionais do governo Lula 3 — impulsionado enquanto o Brasil estava à frente da presidência do Mercosul — e foi assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai.
  • Apesar das assinaturas, o texto ainda precisa ser analisado pelos parlamentos dos dois lados. No Brasil, um dos primeiros passos é a aprovação pela representação nacional no Parlasul, antes de seguir para votação na Câmara e no Senado. Na semana passada, a análise no colegiado foi adiada.
  • Do lado europeu, o acordo prevê a abertura gradual do mercado do Mercosul para produtos industriais, como automóveis, autopeças, máquinas, equipamentos, medicamentos e bebidas. Em contrapartida, países sul-americanos ganham maior acesso ao mercado europeu para produtos agropecuários, como carne, açúcar, etanol, suco de laranja e soja.
  • Produtos sensíveis, como carnes, açúcar, etanol e veículos, terão tratamento diferenciado, com cotas e salvaguardas que permitem a reintrodução temporária de tarifas em caso de desequilíbrios.
  • O pacto, porém, enfrenta resistência sobretudo de setores agrícolas europeus, que temem impactos no mercado interno. Após a assinatura, o Parlamento Europeu decidiu levar o acordo à Justiça para avaliar a conformidade com as normas do bloco.

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Lula e Macron tiveram uma reunião em Belém
Lula com o presidente da França, Emmanuel Macron
A medalha já foi dada a outros chefes de Estado, como o ex-presidente argentino Alberto Fernandez e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
Lula e Macron na França
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Lula com o presidente da França, Emmanuel Macron
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Lula com o presidente da França, Emmanuel Macron

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A medalha já foi dada a outros chefes de Estado, como o ex-presidente argentino Alberto Fernandez e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
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A medalha já foi dada a outros chefes de Estado, como o ex-presidente argentino Alberto Fernandez e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu

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Lula e Macron na França
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Lula e Macron na França

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Lula e Macron tiveram uma reunião em Belém
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Lula e Macron tiveram uma reunião em Belém

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Presidente Lula recebe Emmanuel Macron em cerimônia oficial no Palácio do Planalto (28/03/2024)
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Presidente Lula recebe Emmanuel Macron em cerimônia oficial no Palácio do Planalto (28/03/2024)

Vinícius Schmidt/Metrópoles

Conselho da Paz

Outro ponto que deve ser abordado durante a reunião é o Conselho da Paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A iniciativa visa, inicialmente, chegar a uma solução para o conflito na Faixa de Gaza, mas líderes mundiais temem que o novo organismo avance sobre atribuições que hoje são da Organização das Nações Unidas (ONU).

Macron já anunciou a recusa à proposta de Trump. Lula não respondeu ao convite, mas fez sugestões ao republicano sobre mudanças que podem ser aplicadas ao conselho. O presidente brasileiro recomendou que a atuação do órgão fique restrita à questão de Gaza e que inclua um representante da Autoridade Palestina entre os membros.

Atualmente, a inclinação do Brasil é para rejeitar o convite, no entanto, a avaliação pode mudar caso a Casa Branca incorpore as ações propostas pelo chefe do Executivo brasileiro. Lula e Trump devem tratar pessoalmente, entre outros temas, do grupo criado pelo norte-americano, em reunião prevista para março em Washington. A data da visita de Lula aos EUA ainda está sendo definida pelas equipes diplomáticas dos dois países.

Agendas na Índia

O presidente Lula, acompanhado de comitiva oficial, chegou na manhã dessa quarta-feira (18/2) à capital da Índia. Nesta quinta-feira, além do encontro com Emmanuel Macron, o titular do Planalto tem previstas duas reuniões bilaterais: com o presidente da Sérvia, Aleksandar Vučić, e com o presidente da Eslováquia, Peter Pellegrini.

Antes das bilaterais, ele participa da abertura da 4ª Cúpula de Impacto em Inteligência Artificial, visita os pavilhões do evento e integra uma sessão plenária ao lado de outros chefes de Estado presentes.

Na sexta-feira (20/2), o presidente participa da inauguração do escritório da ApexBrasil na capital indiana. No sábado (21/2), cumpre visita de Estado, com reuniões previstas com a presidente Droupadi Murmu e o primeiro-ministro Narendra Modi.

Na ocasião, Brasil e Índia devem firmar acordos na área de saúde e um memorando de entendimento sobre terras raras e minerais críticos, visto como ponto de partida para o diálogo bilateral sobre o tema. Segundo fontes da diplomacia brasileira, o instrumento prevê cooperação exploratória para estimular o desenvolvimento desses recursos.

Como mostrou o Metrópoles, o Brasil foi convidado a integrar um bloco sobre minerais críticos criado por Trump, mas não deve avançar na proposta. A diplomacia brasileira defende uma estratégia de “universalidade”, mantendo o país aberto a diferentes parceiros e evitando oferecer exclusividade como fornecedor.

Ainda no sábado, Lula participa de reunião com investidores indianos e de um fórum empresarial voltado à aproximação entre empresários dos dois países e à atração de investimentos.

No domingo (22/2), o presidente segue para Seul, na Coreia do Sul, onde a visita de Estado terá como eixo central as negociações sobre um possível acordo para exportação de carne bovina brasileira ao mercado sul-coreano.