Inimigo de Orbán, Zelensky comemora vitória da oposição na Hungria
Presidente da Ucrânia comemorou “vitória esmagadora” de Péter Magyar na eleição parlamentar da Hungria
atualizado
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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, comemorou a derrota do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, na eleição parlamentar da Hungria, neste domingo (12/4).
Pelas redes sociais, o ucraniano, que desenvolveu uma forte rivalidade com Orbán, afirmou que o Tisza, partido de centro-direita liderado por Péter Magyar, teve uma “vitória esmagadora”.
“Estamos prontos para reuniões e trabalho conjunto construtivo em benefício de ambas as nações, bem como pela paz, segurança e estabilidade na Europa”, escreveu pelas redes sociais.
Com a saída de Orbán do poder, após 16 anos consecutivos como primeiro-ministro, Zelensky disse que a Ucrânia quer avançar na relação com a Hungria.
“A Ucrânia sempre buscou relações de boa vizinhança com todos na Europa e estamos prontos para avançar nossa cooperação com a Hungria”, disse.
Com 95% dos votos contados, o Conselho Nacional Eleitoral aponta que o Tisza, partido de centro-direita liderado por Péter Magyar, teve 54% dos votos e deve conquistar ao menos dois terços das 199 vagas do parlamento.
Zelensky e Orbán tornaram-se inimigos
Os líderes da Ucrânia e da Hungria tiveram diversos confrontos nos últimos anos. Orbán tornou-se próximo do presidente russo, Vladimir Putin, e foi um dos principais articuladores dentro da União Europeia para barrar sanções à Rússia por conta da guerra.
Em janeiro deste ano, Orbán ridicularizou Zelensky após discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e chamou o ucraniano de “um homem em situação desesperadora”.
“O senhor é um homem em situação desesperadora que, há quatro anos, se mostra incapaz ou relutante em pôr fim à guerra”, afirmou o premiê.
A tensão começou após o ucraniano acusar Orbán de “trair os interesses europeus” e de se beneficiar de recursos da União Europeia enquanto se opõe às sanções contra a Rússia.
Em discurso no fórum, o presidente ucraniano afirmou que forças que tentam “destruir a Europa” atuam dentro do próprio bloco e disse que “todo Viktor que vive às custas do dinheiro europeu enquanto tenta trair os interesses europeus merece um tapa na cabeça”.
O húngaro então reagiu. “Parece-me que não conseguiremos chegar a um entendimento. Sou um homem livre a serviço do povo húngaro”, escreveu Orbán.
As declarações reforçam a posição já conhecida do governo húngaro, que se mantém como uma das vozes mais críticas dentro da União Europeia em relação ao apoio militar e financeiro a Kiev.
A Hungria anunciou no último ano que redirecionará a contribuição de 1,5 milhão de euros ao Mecanismo Europeu de Paz — fundo da UE destinado a apoiar países em conflito — para as Forças Armadas do Líbano, e não para a Ucrânia.
Segundo o governo húngaro, a prioridade de Budapeste é a estabilidade do Oriente Médio, não o financiamento da guerra em território ucraniano.
A rivalidade foi levada para dentro da campanha eleitoral deste ano. Orbán retratou Zelensky como um “criminoso perigoso” e tentou atrelar a imagem do ucraniano nos adversários.
