Zema tenta se diferenciar de Flávio com campanha radical contra o STF
Enquanto Flávio Bolsonaro busca imagem moderada, Zema apela ao eleitor mais radical em sua pré-campanha
atualizado
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Belo Horizonte – O ex-governador Romeu Zema (Novo) lançou diretrizes de seu plano de governo como pré-candidato ao Planalto com forte discurso mirando o STF, criticando o funcionamento de programas sociais como o Bolsa Família e prometendo privatizar todas as estatais.
Com um discurso mais radical, Zema tenta se destacar na disputa dentro da direita enquanto o principal concorrente desse campo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem mantido um perfil mais discreto, longe de embates.
Flávio tenta nessa pré-campanha construir uma imagem mais moderada. O senador busca um escudo para críticas sobre o comportamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em questões como a diplomacia, os palavrões e o relacionamento com a imprensa.
Já Zema não tem essas amarras e buscou, em evento realizado pelo Novo em São Paulo nesta quinta (16/4), o enfrentamento com o STF – assunto que Flávio tem evitado engajar. Ele também reforçou que não pretende ser vice numa chapa com Flávio e prometeu levar a candidatura “até o fim”.
“Minha primeira medida será propor ao Congresso um novo Supremo”, discursou Zema, que propôs idade mínima de 60 anos e mandato de 15 anos para os ministros e proibição de negócios de parentes dos magistrados na advocacia.
O mineiro também reforçou críticas ao ministro Gilmar Mendes: “Tomou uma decisão em que o governo de Minas pedia uma prorrogação de pagamentos. Eu só não sabia que, por ele ter dado uma decisão judicial, eu deveria ficar em dívida com ele. Me parece que agora ele está se julgando como um credor de Minas ou de mim em alguma questão”.
Zema reage nessa fala a críticas de Mendes, que o acusou de só aceitar a legitimidade do STF para pedir ajuda com a dívida do estado que governava. É apenas mais um capítulo de um embate contra uma ala da Suprema Corte que o político tem priorizado. Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli também são alvos frequentes de Zema.
Privatizar tudo
Assessor de Zema para a área econômica, Carlos da Costa anunciou que o plano do mineiro é privatizar todas as estatais. Esse é outro tema no qual Zema se coloca mais radical que Flávio Bolsonaro, que não fala em vender empresas como a Petrobras.
“Vamos privatizar tudo. Vamos fazer valer o artigo 173 da Constituição, se não for por segurança nacional, vamos privatizar. Não tem que ter empresa estatal, Estado não tem que ter empresa”, disse o economista que assessora Zema.
Mirando o Bolsa Família
Romeu Zema também criticou o programa Bolsa Família e disse que, se eleito, vai obrigar “marmanjões” que recebem o benefício a aceitar proposta de emprego, sob pena de perdê-lo.
“Marmanjões de 20, 30 anos, o dia todo deitado no sofá, jogando video-game, participando de rede social e emprego não tem. Eu vou fazer quem recebe Bolsa Família, do sexo masculino, saudável, novo, ser obrigado a aceitar proposta de emprego ou então ter o benefício cortado”, discursou Zema.







