Relatório aponta bactéria perigosa na água de maternidade em BH

Documento obtido pelo Metrópoles indica presença de bactéria resistente a antibióticos em setores como bloco cirúrgico e UTI neonatal

atualizado

metropoles.com

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Divulgação/Fhiemg
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1 de 1 maternidade-bh - Foto: Divulgação/Fhiemg

Belo Horizonte — Um relatório apontou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa na água da Maternidade Odete Valadares, no bairro Prado, na região Oeste de Belo Horizonte. O documento, ao qual o Metrópoles teve acesso, foi produzido pela própria Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).

Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (SindSaúde-MG), a bactéria é considerada  perigosa em ambientes hospitalares por resistir a antibióticos e causar infecções graves. Diante disso, o sindicato alertou para “risco iminente de surto infeccioso, sepse neonatal e óbitos”.


Nessa segunda-feira (19/5), o SindSaúde-MG enviou uma denúncia urgente a autoridades como o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) e as vigilâncias sanitárias municipal e estadual.

A descoberta da contaminação

Em 14 de abril, segundo o documento obtido pelo Metrópoles, uma empresa contratada pela Fhemig, a GHS Indústria e Serviços Ltda., realizou testes na água em vários pontos da maternidade.

Os exames identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em quase todos os locais analisados, incluindo o bloco cirúrgico, bloco obstétrico, lactário e as unidades de terapia intensiva neonatal.

Em muitos desses pontos, a quantidade da bactéria passou de 2 mil UFC por 100 mL de água, embora a regra determine que ela não pode estar presente de nenhuma forma.

Os testes também apontaram uma quantidade muito alta de outras bactérias que indicam má qualidade da água. Em setores como o CTI Adulto e o Setor de Pasteurização, os índices chegaram a mais de 57 mil UFC por mL — mais de 114 vezes acima do limite de alerta, segundo o sindicato.

Além disso, no CTI Adulto, a água apresentou alteração na cor e ficou fora dos padrões de potabilidade definidos pelo Ministério da Saúde.

 Os riscos

No dia 6 de maio, a própria Coordenação de Gestão Ambiental e Eficiência Energética da Fhemig emitiu oficialmente os resultados das análises da água.

Diante disso, o SindSaúde-MG fez o alerta que a bactéria Pseudomonas aeruginosa é considerada uma das mais perigosas em hospitais por resistir a muitos antibióticos e poder causar infecções graves, principalmente em pacientes mais frágeis.

No ofício, o sindicato afirma que a bactéria é “amplamente conhecida por sua capacidade de causar infecções hospitalares severas e multirresistência a antibióticos” e diz que a situação representa um “risco iminente de surto infeccioso, sepse neonatal e óbitos”.

A sepse é uma infecção generalizada que pode levar à morte, especialmente em recém-nascidos e pacientes em estado grave.

O sindicato pede que a Fhemig apresente imediatamente quais medidas foram adotadas para conter o problema e divulgue os dados de infecções hospitalares registradas em abril e maio. A entidade deu prazo de 48 horas para resposta e afirmou que pode acionar a Justiça e órgãos internacionais de direitos humanos.

Fhemig confirma

Em nota, a Fhemig confirmou que análises realizadas em abril identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa e de bactérias heterotróficas em alguns pontos da maternidade.

A fundação afirmou que realizou imediatamente a limpeza e desinfecção dos reservatórios e caixas d’água da unidade, além de outras medidas previstas em plano de ação. Segundo a Fhemig, não houve registro de sintomas gastrointestinais entre servidores nem de infecções hospitalares nos meses de abril e maio.

Veja a nota na íntegra:

”A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informa que segue rígidos protocolos sanitários e realiza monitoramento constante para garantir a qualidade da água em todas as unidades. A água de consumo dos pacientes e servidores é mineral.

Durante análise programada realizada em abril foi identificada presença de Pseudomonas aeruginosa e bactérias heterotróficas em alguns pontos da Maternidade Odete Valadares. 

Entre as medidas adotadas, a Fundação realizou, imediatamente, a limpeza e desinfecção dos reservatórios e caixas d’água da unidade, além da execução das demais ações recomendadas no plano de ação. 

Adicionalmente, foram promovidos treinamentos e orientações aos profissionais responsáveis pelos procedimentos de limpeza e desinfecção, visando garantir o cumprimento dos critérios técnicos e protocolos estabelecidos. 

Não há registros de ocorrência referentes a sintomas gastrointestinais entre servidores. Também não houve infecções hospitalares nos meses de abril e maio, comprovando que não há impactos do ocorrido pontualmente. 

A instituição segue acompanhando as análises da água, adotando as medidas necessárias para garantir a segurança assistencial de pacientes, acompanhantes e trabalhadores.”

A reportagem entrou em contato com o MPMG e com a SES-MG e aguarda retorno.

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