Vendedora de dindin sofre parada cardíaca após ter mercadoria apreendida por fiscais

Testemunha relatou "abordagem agressiva" por parte de agentes. Idosa de 65 anos passou mal na ação conjunta entre Seops, Agefis e PM e precisou ser hospitalizada. Ela está em estado grave no Hospital de Base

atualizado 25/02/2016 17:36

Reprodução

Uma idosa de 65 anos teve uma parada cardiorrespiratória e foi encaminhada em estado grave ao Hospital de Base após ter a mercadoria (dindin e água mineral) apreendida em uma operação de fiscalização de ambulantes. O caso é investigado pela 5ª Delegacia de Polícia (Área Central) e ocorreu por volta das 11h de quarta-feira (24/2), perto da Rodoviária do Plano Piloto.

Segundo a ocorrência policial, Josefa Tiago dos Santos estava com duas caixas de isopor quando foi abordada por três fiscais, sem coletes, da Subsecretaria da Ordem Pública e Social (Seops). Uma testemunha relatou que foi uma “abordagem muito agressiva” e que os fiscais aparentavam estar armados, pois carregavam um volume na cintura. O material recolhido foi colocado em uma camionete branca sem identificação do órgão.

Após ter a mercadoria apreendida, a ambulante caiu no chão e passou mal. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e prestou os primeiros socorros. Ela recebeu massagem cardíaca para ser reanimada e, depois, foi levada por uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel para o Hospital de Base do DF, onde permanecia internada até a tarde desta quinta-feira (25).

Veja o vídeo do atendimento:

Josefa Tiago dos Santos
Josefa Tiago dos Santos

Agressividade
O guardador de carros Valdeci Costa e Silva presenciou a abordagem dos agentes da Seops. “Um deles foi extremamente grosso, gritou com ela. O que me chamou atenção é que tinha uma barraca de espetinhos ao lado e ninguém mexeu”, ressaltou. O socorro foi solicitado por Valdeci.

Ele disse ainda que pediu ajuda no posto da fiscalização na Rodoviária para socorrer Josefa, mas os funcionários do local teriam dito que não poderiam fazer nada, e que ele deveria chamar o Samu.

Josefa tem sete filhos, 15 netos e dois bisnetos. O estado de saúde, segundo a família, piorou e ela entrou em coma. A idosa sofre de hipertensão e teria ficado muito nervosa com a fiscalização.

“Ela teve também um AVC (Acidente Vascular Cerebral), está com sangue no cérebro e respira com ajuda de aparelhos. O médico nos disse que o sangue precisa ser drenado para, só então, encaminhá-la para a UTI”, explicou um dos netos da ambulante, Huarllen Vieira, 26 anos.

“Ela era aposentada, vendia essas coisas para ter uma rendinha extra e se distrair. Foi um susto para toda a família”, disse o marido de Josefa, Valdir Feitosa, 71 anos. A família mora no Pedregal, no Novo Gama (GO), e permanece na porta do hospital desde que a idosa foi internada. Os familiares se revezam no horário de visita. Ainda de acordo com eles, Josefa está com um machucado no rosto.

Mirelle Pinheiro/Metrópoles
Familiares de Josefa Tiago no Hospital de Base

 

Investigação
A ação foi conjunta entre três órgãos: Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), Subsecretaria da Ordem Pública e Social e Polícia Militar. Ao Metrópoles, a Agefis informou que vai aguardar a investigação da polícia. Se for comprovada a participação de algum agente no incidente, o órgão vai apurar internamente.

A Polícia Militar alegou que “qualquer informação sobre operações da Agefis deve ser solicitada para a mesma”. Já a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social, responsável pela Seops, informou, por meio de nota, que, “nos relatórios oficiais produzidos pela Seops e pela Agefis, não há relato de confronto nem de contato físico entre os agentes e os vendedores ambulantes”.

A nota diz ainda que “de qualquer maneira, a partir do boletim de ocorrência registrado pelo filho desta senhora, a Polícia Civil está investigando o caso”.

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