Veja como é a vida de Jack da Bike na cadeia. Maníaco estuprou 75 vítimas

Criminoso que fez vítimas no DF e no Entorno está no Bloco D da Papuda, destinado aos condenados por crimes sexuais

atualizado 11/08/2020 13:35

estuprador Jack da BikeArte/Metrópoles

Há nove anos atrás das grades e com pouco mais de duas décadas de reclusão pela frente, o estuprador em série Cléber de Jesus Rodrigues, 37 anos, conhecido como “Jack da Bike”, vive um dia de cada vez na Penitenciária do Distrito Federal II, onde cumpre a pena máxima estipulada pelo Código Penal Brasileiro (CPB), de 30 anos.

A unidade prisional fica localizada no Complexo Penitenciário da Papuda. É lá que está o maníaco sexual acusado de violentar 60 vítimas na capital do país e 15 em municípios goianos situados no Entorno do DF. Entre 2002 e 2011, ele atacou mulheres no Gama, Santa Maria e Entorno, até ser preso pela polícia.

Atualmente, o estuprador está trancafiado no Bloco D, destinado aos apenados condenados por crimes sexuais. É o chamado “seguro”, onde os internos não podem ser misturados à massa carcerária. No chamado “código de honra” do crime, os autores de estupro são punidos com a morte dentro dos presídios. Cléber é apontado pela Polícia Civil como um dos maníacos sexuais com mais vítimas já preso no DF.

De acordo com fontes ouvidas pelo Metrópoles, apesar da brutalidade de seus crimes, Cléber é considerado um interno de bom comportamento. A última falta disciplinar dele foi cometida em 2016, envolvendo um desentendimento com outro detento, mas sem maior gravidade. Desde 3 de agosto de 2018, o estuprador está autorizado a exercer atividades laborais envolvendo material recicláveis dentro da unidade prisional.

Em 24 de julho deste ano, Cléber passou por exames e testou negativo para Covid-19 – segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e da Secretaria de Saúde, o sistema prisional registrava, até a noite de segunda-feira (10/8), 1.737 casos de infecção pelo novo coronavírus.

A reportagem apurou que, antes de a pandemia provocar a suspensão das visitas no sistema penitenciário, ele tinha o costume de receber visitas da última mulher com a qual foi casado. Ele teria tido cinco filhos com a companheira. Na época da prisão, em agosto de 2011, todos tinham idade entre 6 meses 10 anos.

Quando Cléber foi preso preventivamente, ele tinha 28 anos. O homem foi condenado em 2012. Somadas, as penas ultrapassam 100 anos. Contudo, no Brasil, o tempo máximo de prisão permitido pela lei é de 30 anos. Dessa forma, caso não consiga algum benefício, ele poderá deixar a cadeia em 2041, quando terá 58 anos.

Como agia

Armado, o criminoso chegou a estuprar, na mesma ocasião, três mulheres. As investigações tiveram início em 2006, quando policiais civis lotados na 14ª Delegacia de Polícia (Gama) notaram um salto no índice de ocorrências envolvendo crimes sexuais na cidade.

As características do autor, a forma de abordagem e a lascívia brutal remetiam a um mesmo criminoso, com 1,75 m de altura, pele negra, portando arma de fogo e vestindo um casaco com capuz, que encobria quase todo o rosto. As mulheres eram escolhidas previamente, principalmente, pela juventude. Todas tinham entre 18 e 25 anos. Quatro delas eram virgens quando foram estupradas pelo maníaco em série.

Atualmente ocupando o cargo de diretora de Enfrentamento à Violência da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a delegada Grace Justa conduziu parte das investigações sobre o estuprador.

Segundo ela, o maníaco tinha o poder de controlar a cena do crime, mantendo as vítimas subjugadas, sem espancar ou provocar lesões graves nas mulheres, comuns em casos de estupros.

Veja o relato da delegada:

“Jack da Bike”

Havia um padrão nos ataques e o criminoso sexual costumava agir após as 23h, selecionando suas vítimas em saídas de festas, bares ou boates, muitas vezes com o dia quase amanhecendo, por volta das 5h. Cléber ficava ao redor dos eventos, na espreita. Não importava se as mulheres estavam acompanhadas ou sozinhas. Várias vezes, o maníaco usou uma bicicleta para se movimentar com mais velocidade.

Geralmente, suas presas eram abordadas no Setor Leste do Gama e, depois, levadas para o Setor Sul, já na saída da cidade, próximo à DF-290. A característica fez os investigadores chamá-lo de “Jack da Bike”. No mundo do crime, “Jack” é o apelido dado a estupradores.

Diferentemente de outros criminosos sexuais do DF, Cléber chegou a render dois casais que caminhavam juntos, em Santa Maria, após deixarem uma festa.

Na ocasião, as duas mulheres e seus companheiros foram ameaçados com uma arma de fogo e levados para um local ermo. O maníaco afirmava que se alguém tentasse fugir seria morto a tiros. Depois de obrigar as jovens a tirar a roupa, ele ordenava que se deitassem de bruços sobre os companheiros, de forma a atrapalhar a visão dos homens. Em seguida, consumava os estupros.

Perfil

Para permanecer quase 10 anos estuprando mulheres nas ruas do DF, Cléber de Jesus desenvolveu mecanismos para dificultar sua identificação, além do capuz e da ordem para que as vítimas não olhassem para seu rosto. Durante os atos, ele mandava que as mulheres permanecessem de costas, com os joelhos no chão.

Todas as vítimas relataram aos investigadores que também foram obrigadas a fazer sexo anal com o maníaco. Quando abordava mais de duas, ele sempre obrigava uma a ficar observando o ato sexual, e usava uma arma para fazer com que ninguém esboçasse qualquer reação.

Em 2007, o delegado Sérgio Bautzer, então no plantão da 14ª DP, definiu as características do criminoso sexual em série e acionou a profilercriminóloga e escritora Ilana Casoy.

A profissional publicou livros campeões de vendas que narram a atuação de serial killers no Brasil e no mundo. Com o material que a polícia havia acumulado, a escritora produziu um perfil psicológico (veja arte abaixo) e de atuação sobre o maníaco quatro anos antes dele ser identificado e detido.

“Nesses casos, o autor é depravado e teve problemas sexuais na adolescência ou na vida adulta. Sofre de autoestima extremamente baixa e teve pequenos problemas escolares, mas é profissionalmente estável e de alta confiabilidade”, disse.

ANÁLISE CRIMINAL ESTUPRADOR… by Metropoles on Scribd

As observações da profiler bateram com a realidade e, de fato, policiais civis tiveram dificuldade de obter informações sobre o suspeito com seus colegas de trabalho. Companheiros de profissão em uma fábrica, no Gama, tinham admiração por ele. O chefe do estuprador, à época, chegou a afirmar que ele era funcionário modelo e muito querido por todos.

Primeira prisão

O estuprador acabou preso em 2008 em razão de um roubo de celular. Na época, não havia qualquer materialidade que servisse de embasamento para acusá-lo pela onda de estupros. Coincidentemente, durante o período de 12 meses em que permaneceu encarcerado, os casos de crimes sexuais no Gama e Santa Maria com o padrão apurado pela PCDF desapareceram.

Em agosto de 2011, graças ao material genético colhido de uma vítima estuprada pelo criminoso, em Santa Maria, a PCDF conseguiu provar que o crime sexual havia sido cometido por Cléber de Jesus Rodrigues.

Após fazer dezenas de vítimas, o criminoso acabou preso preventivamente, julgado e condenado.

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