Renan Sena é indiciado pela PCDF e Justiça autoriza perícia em celular

PCDF também apura envolvimento com a organização logística, administrativa e estratégica dos extremistas e eventuais financiadores da ação

atualizado 18/06/2020 17:53

Renan SenaReprodução

O ativista Renan Sena, 57 anos, ex-funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e integrante do grupo extremista 300 do Brasil, foi indiciado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Sena responderá pelos crimes de injúria e difamação. O inquérito foi relatado nesta quinta-feira (18) ao Judiciário pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC). A Justiça também autorizou a perícia no celular de Sena e os dados serão extraídos.

O bolsonarista foi preso e libertado no último domingo (14/06). A detenção ocorreu pouco depois de ele ser localizado dentro de um carro, como passageiro, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG). Durante a prisão, a motorista arrancou com o veículo, entrou na contramão e arrastou um policial por alguns metros, segundo consta na ocorrência registrada na delegacia especializada.

Sena é acusado de participar do grupo suspeito de soltar fogos de artifício no Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaçar o governador Ibaneis Rocha (MDB), entre outras autoridades, em vídeos que circularam no WhatsApp, após a retirada de acampamentos a favor do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), da Esplanada dos Ministérios.

O manifestante também foi indiciado pela PCDF após ter, no dia 1º de maio, agredido verbalmente uma enfermeira que participava de um ato a favor do isolamento social na Praça dos Três Poderes.

Confira o vídeo do ataque ao STF:

Celular periciado

Segundo o delegado da DRCC, Dário Taciano de Freitas, que trabalhou no caso, foi possível materializar que houve, de fato, os crimes de injúria e difamação contra autoridades públicas.

“O fato foi ofensivo à reputação das vítimas, e teve potencial de diminuir o conceito tanto do governador, bem como dos membros do Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. Vale citar que tal delito foi consumado por intermédio de vídeo compartilhado para milhares de pessoas na internet”, disse.

Os crimes têm penas que variam de 30 dias a 1 ano de detenção, mais multas, podendo ser agravados se houver o emprego de violência ou vias de fato. No entanto, o delegado ressaltou que as condenações aumentam em um terço quando cometido contra funcionário público, em razão de suas funções, bem como na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da difamação ou da injúria, conforme ocorreu no caso dos vídeos difundidos por Renan.

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O celular de Renan Sena foi apreendido no momento de sua prisão em flagrante. Houve representação perante o Poder Judiciário para afastamento do sigilo dos dados telemáticos e comunicações contidas no aparelho. O pedido foi deferido pela Justiça.

Segundo fontes ouvidas pela coluna Grande Angular, do Metrópoles, o teor das trocas de mensagens é bombástico, porque demonstra ligação de Renan com figuras relevantes do governo federal.

O telefone de Renan será periciado pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e o conteúdo vai ser usado para embasar as apurações. “Também será investigado pela PCDF o envolvimento com a organização logística, administrativa e estratégica dos grupos de extremistas, bem como eventuais financiadores da ação. Por fim, também vale mencionar a possibilidade de se constatar eventual organização criminosa na realização das manifestações e atentados”, aponta o delegado.

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