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Quem precisa estacionar no Setor Bancário Sul nesta segunda-feira (4/6) está tendo ainda mais dor de cabeça. Pelo menos 100 vagas, incluindo as de idosos e deficientes, estão fechadas por conta de uma operação iniciada pela Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) no sábado (2) para a retirada do painel eletrônico do grupo Metrópoles de comunicação.

A peça funcionou por quatro meses e, após veiculação de propaganda do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (SindSaúde) que criticava o governo do Distrito Federal, está sendo retirada.

A coordenadora de marketing Carolina Dias, 34 anos, ficou pelo menos 15 minutos atrás de uma vaga na manhã desta segunda e condenou a ação do Executivo local. “Essa interdição é péssima. Prova que não se pode falar mal do governo”, ressaltou.

A situação é ainda mais complicada para deficientes e idosos. O aposentado José Augusto Tucci, 70, diz que discorda totalmente da atitude do governo. “Tinha uma consulta marcada no dentista e precisei estacionar longe, pois a área está interditada. Em Brasília, já são tão poucas vagas. É uma medida de segurança, mas prejudicial para todos”, assinalou.

A designer Elen Morais, 30, passou quase meia hora em busca de um lugar para estacionar na região. Para ela, o motivo da interdição “é fútil e sem fundamento”.

É uma atitude política. O painel é de utilidade pública para quem precisa se informar e não tem tempo de ler as notícias"
Elen Morais

O eletricista Paulo Roberto Santos, 33, considera a ação do governo “um absurdo”. “Vivemos em uma democracia e todos têm direito de dar sua opinião. Essa interdição tira o direito de ir e vir das pessoas. O painel não só informava, mas também iluminava a área, que, de noite, é extremamente escura e com risco de assaltos”.

O também eletricista Luciano Lemos, 23, teve de estacionar bem distante do local onde trabalha. Ele criticou a postura do governo de censurar o Metrópoles.

Quer dizer que se falar mal do governo, eles mandam tirar? Isso é absurdo. A imprensa precisa ter liberdade"
Luciano Lemos

A Agefis está com uma equipe de pelo menos 40 pessoas nesta segunda-feira (4) para retirar a empena do Metrópoles, que tem autorização de funcionamento. O grupo envolve profissionais da própria agência, do Departamento de Trânsito (Detran) e do Corpo de Bombeiros. Uma tirolesa está sendo montada no prédio virado para o Eixão Sul a fim de remover as placas de LED. Por volta das 16h, 54 das 171 haviam sido retiradas.

“Não tinha necessidade de tudo isso aqui. Estou indo ao banco e parei o carro bem longe. Tenho problemas nas pernas e dificuldade para caminhar. Muito complicada essa situação”, lamentou o aposentado Antônio Bezerra, 85.

O vendedor de picolé Wanderson Dias, 38, disse que o GDF “está tirando sua TV”. “Todo dia de manhã passo por aqui e tomo meu café vendo as notícias do DF, previsão do tempo. Quando colocaram, achei uma iniciativa muito bacana. É algo moderno e de grande utilidade pública”, comentou.

A censura do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) é criticada não só pela população como por entidades que defendem a liberdade de expressão. A Federação Nacional dos Jornalistas, a Ordem dos Advogados do Brasil, seção DF, e a Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal condenaram a mordaça.

“A imprensa não será silenciada. Calar, jamais”, disse a comissão, em nota de “repúdio e estranheza” sobre a ação do governo. A atitude antidemocrática de Rollemberg também mobilizou grandes jornais e publicações regionais. Sites e jornalistas que assinam colunas de renome se solidarizaram com o Metrópoles.