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“A imprensa do Distrito Federal não será silenciada. Calar, jamais”. A declaração faz parte de nota de “repúdio e estranheza” divulgada, neste domingo (3/6), pela Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas do DF, contra a retirada do painel digital do portal Metrópoles. 

Segundo a manifestação, “o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros estabelece em seu primeiro capítulo o direito à informação e condena qualquer forma de obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, sendo este um delito contra toda a sociedade”.

A comissão destacou, ainda, que “a própria Agefis reconheceu que o portal possuía licença, mas considerava que informações jornalísticas e publicitárias não poderiam ser veiculadas”. De acordo com o colegiado, cumpre à comissão “vivemos, nos últimos anos, tanto no DF quanto no âmbito nacional, uma escalada de práticas repressivas e silenciadoras da comunicação e da cultura”.

A Comissão de Ética ressaltou que o painel “cumpria importante função de manter a população informada, inclusive em momentos críticos, como o desabamento do viaduto e a greve dos caminhoneiros”.

Na manhã de sábado (2), a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) iniciou uma operação de retirada de engenhos publicitários de grande porte no centro da cidade. Entre os equipamentos que se tornaram alvo do governo, está o painel digital pertencente ao grupo Metrópoles. A estrutura, instalada em prédio do Setor Bancário Sul, no coração de Brasília, funciona desde 6 de fevereiro deste ano.

A empena era usada tanto para a divulgação de conteúdos de natureza publicitária, como para a veiculação de serviços e notícias. Entre os assuntos expostos, estão a previsão de tempo, a situação do trânsito, o funcionamento de equipamentos públicos, a programação cultural da capital, além de toda a sorte de assuntos que interessam a comunidade, como a recente crise de desabastecimento que alterou a rotina dos brasilienses.

 

Entre os temas abordados nas inserções reservadas ao conteúdo jornalístico, as ações do governo não poderiam passar despercebidas aos olhares criteriosos de mais de 150 profissionais da equipe do site de notícias que abastece o painel.

Mas, muito embora o portal tenha conquistado todas as autorizações exigidas pelo poder público para garantir o funcionamento do veículo, o governador Rollemberg se insurgiu contra a empena digital ao notar a publicação de conteúdo que, eventualmente, fez críticas à sua gestão.

Numa ação silenciosa, mesmo antes de esgotar as instâncias administrativas, o GDF obteve em regime de plantão, junto a uma juíza substituta, decisão para fazer a retirada do painel. O Metrópoles nem sequer teve o direito de apresentar todas as autorizações de funcionamento expedidas pelo próprio poder público.