GDF faz vistoria em toda a Rodoviária e não descarta novas interdições

Nos últimos sete anos, o Governo do Distrito Federal já gastou R$ 26 milhões no terminal do Plano Piloto

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 28/06/2019 6:19

A Rodoviária do Plano Piloto passará por uma avaliação completa de segurança. Segundo o secretário de Obras do Distrito Federal, Izídio Santos, engenheiros da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), da Defesa Civil e fiscais de outros órgãos vão fiscalizar as condições estruturais de todo complexo de viadutos do terminal.

Após ter identificado o risco de desabamento no trecho entre o Conic e o Conjunto Nacional, o Governo do Distrito Federal (GDF) determinou a interdição da plataforma superior para não correr risco de um desastre. Caso sejam necessárias, novas interdições poderão ser feitas.

O risco de desabamento foi noticiado em primeira mão pela coluna Grande Angular, do Metrópoles. “A partir da detecção do risco entre o Conic e o Conjunto Nacional, intensificamos o monitoramento em toda a Rodoviária. A equipe da Novacap, Defesa Civil e outros engenheiros estão fazendo a inspeção nas demais vigas do complexo de viadutos”, disse o secretário.

Izídio Santos explicou que em alguns locais não é possível fazer a vistoria visualmente. “Só com câmeras, porque você não tem acesso. Toda estrutura da Rodoviária está passando por um pente-fino”, pontuou. A princípio, o GDF estima que será necessário investimento mínimo de R$ 6 milhões para afastar o risco de desabamento.

“Essas fissuras vêm sendo acompanhadas. Com o histórico delas e considerando que aumentaram muito, recomendamos a interdição imediata. O risco [de desabamento] é real”

Izídio Santos, secretário de Obras do DF

A princípio, o governo quer remanejar parte da verba da reforma que está em curso no terminal. O projeto envolve parte elétrica, drenagem, pisos e tetos, ao custo estimado de R$ 36.665.454,78. Entre idas e vindas, a obra no local já dura sete anos e consumiu R$ 26 milhões.

Manutenção

Caso não tenha a autorização do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), o Executivo local pretende realocar recursos do Tesouro, a Fonte 100. De qualquer forma, o trânsito na região já foi alterado. “A obra que está sendo feita na Rodoviária é uma reforma. Então, ela envolve serviços que não tem nada a ver com a estrutura. A própria empresa que está realizando a obra detectou a fissura e nos avisou”, disse Izídio.

Após a detecção do problema na plataforma, a Novacap fez um laudo sobre a situação. Veja abaixo:

 

Nota Técnica – Rodoviária by Metropoles on Scribd

Para o secretário, houve falha de outras gestões no cuidado com a Rodoviária. “Não tinha que ter visto isso antes? Você tendo a inspeção periódica, identifica o problema no início. Olha, manutenção não é feita em nada por aqui ao longo da história do DF.”

Brasília vivenciou os efeitos do descaso com a segurança de estruturas públicas no ano passado, com a queda parcial do viaduto da Galeria dos Estados. Nesse contexto, o GDF montou uma força-tarefa com Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do DF (Crea) e outras instituições para fiscalizar as “obras de arte” urbanas da cidade.

O DF tem quase 800 pontes e viadutos. Com o apoio de alunos e professores de universidades, o governo pretende começar um mutirão de fiscalização no próximo semestre.

O risco de desabamento reacendeu a ideia do governo de conceder a Rodoviária por meio de uma parceria público-privada (PPP). O governador Ibaneis Rocha (MDB) pretende privatizar e transformar o complexo em um shopping. Hoje, passam diariamente 700 mil pessoas pelo local. O GDF desembolsa R$ 353.232,12 para o funcionamento do terminal rodoviário.

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