Professora há 46 anos no DF exalta a profissão: “É encantador”

Rosemary Sales, 71, entrou para a rede pública de ensino em 1973 e ajuda na formação de crianças até hoje

atualizado

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1 de 1 rosemary - Foto: Material cedido ao Metrópoles

Nos últimos 46 anos, o Distrito Federal foi governado por 17 pessoas, triplicou o número de regiões administrativas e viu a população saltar de 500 mil habitantes para mais de 3 milhões. O que não mudou, desde então, foi a paixão da professora Rosemary Sales, 71, em estar dentro da sala de aula.

Rosemary entrou na rede pública de ensino do DF em 19/07/1973. É a segunda docente com mais tempo de serviços prestados à educação em Brasília. E, nesta terça-feira (15/10/2019), comemora na cidade mais um Dia do Professor.

Nascida no município de Parnaíba (PI), em 1948, ela se mudou ainda muito pequena para a então capital do país, o Rio de Janeiro. Em contato com a língua inglesa já a partir dos 11 anos, ela começou a dar os primeiros ensinamentos para familiares e amigos que buscavam entender as palavras anglo-saxônicas.

“Passei a dar aulas particulares com 15 anos, mas ainda não via aquilo como uma profissão futura. Fazia mais para ganhar um dinheirinho”, conta Rosemary.

Mesmo quando passou no vestibular da Pontifícia Universidade Católica carioca (PUC-RJ) para o curso de letras, ela diz que o desejo de lecionar ainda não era o principal. “Eu gostava muito de direito. Na época, quando disse que faria letras ao meu pai, ele nem acreditou. Mas eu imaginava que, se não me tornasse professora, poderia trabalhar em alguma embaixada, por exemplo”, lembra.

Mudança para Brasília

Com 22 anos, Rosemary mudou-se para Brasília com os pais. Procurando algum concurso em que pudesse aplicar os conhecimentos de inglês e português adquiridos na faculdade, ela achou a oportunidade perfeita na Secretaria de Educação. Aprovada, deveria dar aulas do idioma estrangeiro no Gama, mas achou um jeito de ficar mais perto de casa, na Asa Sul.

“Em uma reunião de todos os selecionados, uma professora disse que estava se separando e precisava ir para longe do marido. Perguntei se ela, que estava no Caseb, não trocaria comigo a vaga no Gama. Ela aceitou e ficou bom para nós duas”, conta, rindo da situação.

Foram vários anos de aulas na escola mais antiga do Distrito Federal, dedicando-se a jovens entre 12 e 15 anos. Rosemary, em alguns momentos da carreira, acumulou cargos de professora em escolas particulares e cursos de inglês, sempre com a mesma energia. Cursos para se manter atualizada, durante as mais de quatro décadas de carreira, também foram muitos.

“Todo congresso que aparecia, eu ia. Precisava continuar aprendendo”, avalia. Ela não foi a única a se modificar ao longo do tempo. A professora conta que o perfil dos alunos também mudou – tanto para o bem quanto para o mal.

“Antigamente, havia mais disciplina. Hoje em dia, o professor precisa ter mais habilidade para ser respeitado. Por outro lado, as crianças chegam à sala de aula em contato muito maior com inglês. Isso ajuda bastante no aprendizado”, explica Rosemary.

Até o ano passado, a professora trabalhava ativamente como coordenadora pedagógica e da Escola Classe do Setor Militar Urbano, além de entrar em sala frequentemente para substituir algum professor que faltasse. “Hoje deixei de ser a coordenadora e só ajudo na parte pedagógica. É um trabalho puxado, mas tenho dado menos aulas.”

Apesar de fazer piada dizendo que gostaria de ser a docente mais antiga do DF, Rosemary pretende se aposentar assim que o mestrado realizado em Lisboa seja aprovado pelo Ministério da Educação (MEC).

Para os futuros professores, ela deixa o aprendizado de quem passou a vida em sala de aula. “Ser professor é entender o que pode fazer com o que você tem. É encantador, mas com muitas dificuldades”, finaliza.

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