DF: professores veem “janela” de oportunidade para cobrar aumento

Docentes acreditam que negociações envolvendo GDF e as forças de segurança favorecem retomada do movimento por recomposição salarial

atualizado

metropoles.com

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Rafaela Felicciano/Metrópoles
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1 de 1 Rafaela Felicciano/Metrópoles - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Na esteira das negociações para os reajustes salariais de PMs, policiais civis e bombeiros militares do Distrito Federal, os professores da rede pública decidiram cobrar aumento. A ideia é pedir o mesmo percentual que está sendo discutido entre as forças de segurança e o Governo do Distrito Federal (GDF): 37%.

Os docentes ainda buscam o pagamento da recomposição de 3,5% na remuneração base, que se refere à sexta e última parcela do reajuste aprovado em 2013, ainda na gestão do então governador do DF, Agnelo Queiroz (PT). O índice deveria ter sido aplicado aos contracheques em 2015, primeiro ano do governo Rodrigo Rollemberg (PSB), mas até hoje não foi incorporado. Por essa razão, a categoria também quer pagamento retroativo.

Nesta terça-feira (15/10/2019), o Brasil e o DF comemoram o Dia do Professor. No entanto, segundo a categoria, a defasagem salarial “empalidece” a data. Atualmente, 28 mil profissionais trabalham na rede pública de ensino do Distrito Federal. No início de carreira, o vencimento bruto, sem descontos, é de R$ 5.016,53 para 40 horas semanais.

“Não somos contra os reajustes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil. Todos devem ganhar bem. Mas queremos garantir também os nossos aumentos. As negociações estão paradas e vamos retomá-las. Vamos cobrar a retomada do grupo de trabalho do reajuste com o governo”, pontuou Samuel Fernandes, diretor do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF).

Do ponto de vista do sindicato, o reajuste de 37% nos vencimentos básicos está amparado pela Meta 17 do Plano Distrital de Educação (PDE). “O GDF precisa cumprir a legislação. Este é o caminho para garantir aos professores a média salarial das demais categorias de nível superior”, assinalou Fernandes.

Ainda de acordo com o sindicalista, a categoria não quer greve, apenas o cumprimento da Meta 17 do PDE. Segundo Fernandes, os docentes sofreram perdas salariais com relação à inflação. “O salário de hoje é o mesmo de 2015. Nosso poder de compra não é mais o mesmo”, reclamou.

As negociações salariais dos professores com o governo de Ibaneis Rocha (MDB) estavam paradas desde junho deste ano. No entanto, os avanços das articulações para as recomposições dos vencimentos de policiais e bombeiros reaqueceram o desejo da categoria. O próprio presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), sinalizou a intenção de conceder os reajustes às forças de segurança de forma conjunta.

Cinto apertado

O movimento dos professores ainda não bateu às portas do Palácio do Buriti, mas o governo já se prepara para lidar com o tema. De acordo com o secretário de Educação, João Pedro Ferraz, a decisão sobre reajustes dependerá da palavra final do governador, Ibaneis Rocha (MDB). “É decisão de governo, pois envolve outras áreas, como a Secretaria da Economia”, argumentou o secretário.

Independentemente de qual seja a determinação, pelas contas de Ferraz, o orçamento da pasta da Educação está apertado nesta reta final de 2019. “A secretaria está cumprindo com as obrigações no limite. Não temos nada sobrando”, afirmou Ferraz, acrescentando que considera válido o pleito dos professores. “Temos que analisar o que desejam, se é possível, qual é o cronograma e as possibilidades do governo”, ponderou.

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