Brasília, 61 anos: conheça locais que preservam a história da capital

Neste 21 de abril, o Metrópoles listou lugares e iniciativas que mantêm vivas algumas memórias da cidade. Confira

atualizado 21/04/2021 10:35

Igo Estrela/Metrópoles

A capital federal celebra, nesta quarta-feira (21/4), seu 61º aniversário. Além dos monumentos históricos e atrativos turísticos conhecidos mundialmente, Brasília tem sua história contada por meio de diversas iniciativas na cidade.

As narrativas candangas estão representadas em diferentes aspectos da capital, como na arquitetura, gastronomia, no comércio e na cultura locais. Neste 21 de abril, o Metrópoles listou alguns espaços que preservam a memória brasiliense. Confira a seguir.

História

Ao final da década de 1950, quando Brasília começou a ser construída, surgiram, ao mesmo tempo, dois núcleos urbanos com grande importância histórica: Núcleo Bandeirante e Candangolândia.

Hoje, um dos principais pontos dessa primeira região administrativa é o Museu Vivo da Memória Candanga, que mostra a história brasiliense. “É um local muito importante porque foi onde tudo começou. Brasília não existiu exatamente em 1960. Já era erguida antes disso e o museu conta essa trajetória”, afirma a gerente do espaço, Eliane Falcão.

Abrigado em sítio histórico, nas instalações do antigo Hospital Juscelino Kubitschek, o espaço é testemunho preservado dos acampamentos pioneiros e teve o tombamento permanente homologado em 2015, sendo um Patrimônio Histórico e Cultural Nacional. As casinhas coloridas de madeira foram levantadas em junho de 1957. Já o museu, propriamente dito, foi entregue à população em 1990.

O lugar abriga exposições permanentes e temporárias e tem entrada gratuita, mas atualmente está fechado devido à pandemia do novo coronavírus. Neste momento, então, a Secretaria de Cultura do DF realiza reformas na estrutura, para preservá-la.

“Houve o restauro das janelas das casas e reparos no espaço externo, parque e estacionamento. Em janeiro foi feito o reforço nos telhados. O procedimento realizado consistiu na remoção das telhas danificadas e instalação de telhas translúcidas leitosas. Constituídas de material PVC, as novas aquisições oferecem maior durabilidade”, diz a pasta.

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Candangos

Já na Candangolândia, logo na entrada da cidade, está um dos locais que homenageiam a história de Brasília: a Praça dos Estados. Lá estão as 27 bandeiras das unidades federativas do Brasil, como forma de representar os primeiros moradores, que vieram de outros estados para ajudar nas obras da capital.

Segundo a Administração da Candangolândia, a construção da praça ocorreu no início dos anos 2000, a pedido de um pioneiro: Iremar Carlos Ferreira. Mais conhecido como Carlos Paulista, ele vive em Brasília desde 1957, quando saiu de sua cidade natal, Batatais (SP), e veio trabalhar como mecânico.

Aos 86 anos, ele ainda se lembra bem da época em que chegou ao Distrito Federal. “Eu trabalhava com trator, então construí estradas aqui. Peguei poeira, barro. Quando cheguei, só tinha meia dúzia de gente. Hoje, já tive filhos e neto aqui e tenho muito orgulho de fazer parte da história brasiliense”, diz, com um sorriso no rosto.

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Restaurante da Tia Zélia

A poucos quilômetros do centro da capital, um ambiente que oferece comida caseira chama a atenção de brasilienses há 23 anos. É o Restaurante da Tia Zélia, na Rua Maranhão 08, da Vila Planalto.

A Vila é um símbolo dos pioneiros e foi criada no final da década de 1950 para abrigar os diversos acampamentos de trabalhadores das construtoras que ergueram a capital. Muito conhecida na região, a baiana Maria de Jesus Oliveira, a Tia Zélia, de 67 anos, não deixa de ressaltar seu amor pela área. “É um pedacinho do céu.”

Natural de Buritirama, Tia Zélia deixou a Bahia ainda jovem, com dois filhos, para participar do início da história de Brasília. “Cheguei há 44 anos. Vim de caminhão e fui cozinheira em algumas cantinas. Só havia 14 casas na Vila Planalto, mas foi onde eu me encontrei e arrumei a minha vida”, narra.

Em 1998, ela fundou o restaurante, que é mantido até hoje no mesmo local e com a mesma estrutura. “Tenho clientes de todo o DF e sou grata por essa família que criei, porque tem gente que sai do Gama para vir comer da minha comida. É o prato com arroz e feijão que já faz parte da vida de muitas pessoas daqui”, assinala Tia Zélia.

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Banca Copacabanca

Na história de Brasília, também há uma relação especial da cidade com o choro. Na conhecida banca de revistas da 208 Sul, a Copacabanca, as tradicionais rodas de choro também preservam esse aspecto musical da capital.

Dono do estabelecimento, Carlos Bastos Valença, de 69 anos, é pernambucano e se casou com Terezinha Queiroz Valença, uma pioneira de Brasília. Em 1997, ele veio morar no DF e se apaixonou pelo centro do país.

“Começamos com as rodas de música há oito anos. Antes de eu comprar a banca, eu era aluno da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello. Na época, nós fazíamos rodas no Parque da Cidade. Depois que eu comprei a banca, decidi chamar o pessoal para mudarmos para lá e, assim, começou nossa tradição dos sábados”, conta Carlos.

Atualmente, as reuniões musicais estão suspensas por causa da pandemia. Mas Carlos conta os dias para retomar a iniciativa. “Essa foi uma das primeira bancas da cidade, porque é uma quadra antiga. Então é um local importante”, diz.

“Eu falo que tenho três terapias. A primeira é vir a pé de casa, na 307 Sul, até a banca. A segunda é a própria banca, que é onde eu gosto de estar. E a terceira é a música. Essa interação com os moradores é uma beleza”, ressalta.

Carlos Bastos Valença, dono da banca

Arquitetura original

Brasília tem 27 bens tombados individualmente pelo Iphan54 pelo GDF. Os pontos arquitetônicos que preservam a memória da cidade, no entanto, não se limitam aos locais turísticos.

No final do ano passado, oito prédios no Plano Piloto receberam o SELO CAU-DF (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal). O objetivo foi reconhecer o valor histórico das edificações não monumentais de Brasília – e de seus autores. O Bloco C da 210 Sul ficou em primeiro lugar.

Segundo o CAU-DF, além da arquitetura do edifício, cuja construção data de 1976, destacam-se a preservação e manutenção das suas características originais – fachadas e pilotis – bem como o respeito aos aspectos urbanísticos e paisagísticos típicos das superquadras.

Bloco C da 210 Sul

De acordo com o síndico do prédio, Fernando Pavie, 60, que mora há 20 anos no bloco, a manutenção das características originais “é muito respeitada por todos os moradores”. “Nós não deixamos ar-condicionado do lado de fora, fios pendurados. É uma filosofia nossa e não tem estresse”, diz.

Luiz Venesiano da Silva, 64, é o morador mais antigo do edifício e trabalha como porteiro no local. Ele vive no bloco há 43 anos e diz se sentir “orgulhoso de fazer parte dessa história”. “É um local muito bonito e procurado por várias pessoas da cidade. Alunos de arquitetura vêm para conhecer, noivas vêm fazer ensaios. Dediquei minha vida a colaborar com a preservação deste espaço e fico feliz em vê-lo assim nos 61 anos de Brasília”, comemora.

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