Casa Brasiliense: lar inspirado na capital reúne curvas e modernidade

A jornalista Ana Evelin fez questão que o lar fosse um espelho das obras arquitetônicas de Brasília

atualizado 05/03/2021 15:11

Arte/Metrópoles

Se a arquitetura de Brasília fosse definida em algumas palavras, provavelmente, os termos curvas e modernidade estariam no topo da lista. Na casa da jornalista e diretora de audiovisual Ana Evelin, de 59 anos, o conceito também se aplica. O visual do lar foi inspirado na capital brasileira e nos nomes por trás da construção: os arquitetos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa e o artista plástico Burle Marx.

O espaço de Ana ganha, agora, destaque na série Casa Brasiliense, publicada aos domingos pelo Metrópoles, desde dezembro do ano passado. A reportagem mostra como moradores do Distrito Federal transformam a própria residência em um espelho de suas personalidades. Anteriormente, apareceram o designer de jóias Antônio Henrique e a aposentada Elizabeth dos Reis Guimarães.

Apesar de não ter nascido no quadradinho, Ana é brasiliense de corpo e alma. Ela se mudou do Piauí para a quadra 308 da Asa Sul, junto com a família, quando tinha pouco mais de 1 ano de idade.

A relação da jornalista com a capital brasileira é antiga e intimista

A chegada ocorreu em 1962, dois anos após a inauguração da capital. “Quando cheguei ainda era um ermo e não tinha nada, só poeira e terra vermelha”, afirma Ana. “Acho que sou memória viva candanga, assisti a tudo sendo construído de camarote”.

A conexão com o território deu origem à sua atual casa, localizada no Jardim Botânico, a cerca de 23 km do centro. “Disse de antemão ao arquiteto que queria as curvas, o cobogó, as cores. Brinco que já tenho o DNA do Niemeyer no meu sangue. Acho que cresci com bom gosto”, comenta.

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Detalhes

A casa tem 140 m² de área construída, dividida entre duas suítes, lavabo, sala ampla, cozinha e sala de jantar. O lado externo é ainda maior, com a piscina e uma “agroflorestinha”, como define Ana. A área tem árvores de diversas espécies, dentre elas bananeiras, mangueiras, limoeiros, roseiras, uma horta e um ipê amarelo, símbolo do cerrado brasiliense.

A influência da arquitetura da capital no senso estético da jornalista é perceptível da fachada ao interior do lar. Com uma estrutura curvilínea, a casa transmite a sensação de “deslizar” sobre o terreno e se combina com o céu do Planalto Central. “Brasília não tem excessos na arquitetura, então dá para ver a obra completa. Não tem poluição em volta”, pontua Ana. As curvas também se manifestam no fundo infinito dos quartos e da sala.

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As paredes do lar são, em geral, brancas, exceto na sala, em que Ana apostou numa cor com o nome de berinjela. O branco também está presente nos azulejos da cozinha e dos banheiros, em que os revestimentos são todos na paleta com relevos diferenciados.

A parede berinjela complementa a paleta do lar

O mobiliário, por sua vez, mescla uma paleta com cores mais fortes e mármore carcará rosa. “Herdei parte da minha mãe da década de 1970 e fui misturando com outros mais modernos”, explica a jornalista. Em um dos corredores, se destaca uma obra do artista Wagner Hermuch.

Na garagem, um cobogó cinza. O elemento de decoração difundido por Lúcio Costa é feito de cimento e possibilita maior ventilação no interior dos espaços.

O lar é bem iluminado

Outro ponto a cara da capital no lar são os janelões de cada ambiente. O elemento, junto com o platô da estrutura arquitetônica, permite que Ana contemple a beleza do nascer e pôr do sol da capital diariamente.

O platô faz com que a casa não tenha visão livre para o céu

A mistura da personalidade de Ana com a arquitetura de Brasília deu certo e é motivo de orgulho para a jornalista. Ela conta que já flagrou pessoas posando em frente a casa e, com frequência, recebe elogios de outros admiradores do quadradinho. “Sempre sonhei com uma casa exatamente como a minha”, completa.

A casa é o xodó de Ana

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