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Entenda como a pornografia interfere na ideia de “ser bom de cama”
Sexóloga explica de que maneira a pornografia e as redes sociais afetam como as pessoas se consideram “bons de cama”
atualizado
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Por mais que queiramos acreditar que somos incríveis entre os lençóis, a verdade é que nem todo mundo é um amante de “primeira classe”. Mas como saber se você é bom de cama diante de um conceito tão subjetivo? Não existe um padrão universal, ou uma lista de técnicas que automaticamente te qualificam como tal.
A Pouca Vergonha já abordou, anteriormente, que um dos princípios fundamentais para uma pessoa ser considerada boa de cama é ter entusiasmo, para citar apenas um exemplo.

Apesar disso, o que é bom para um não ser bom para outro, e vice-versa. Alguns fatores influenciam a noção “básica” do que as pessoas gostam, como a pornografia, e a visão que têm da própria performance.
Para Ana Paula, a pornografia, especialmente a mainstream, apresenta uma versão altamente fantasiada, performática e, muitas vezes, irreal do sexo. “Ela frequentemente foca em corpos idealizados, atos extremos e uma visão unilateral do prazer.”
A experta acrescenta que o consumo pode afetar o que as pessoas esperam do sexo. “Criar expectativas irreais tanto para o próprio desempenho quanto para o do parceiro”, complementa. Para ela, as pessoas podem se sentir inadequadas por não replicarem o que veem, gerando ansiedade e frustração.
Outro ponto, segundo a profissional, é que a ideia de que “ser boa de cama” significa executar uma série de técnicas ou poses que podem não ser naturais ou prazerosas.
Além disso, fomenta a ideia de que apenas certos tipos de corpos são “sexuais” ou “desejáveis”. “Ignora-se o aspecto emocional, a comunicação e a intimidade, focando apenas no físico.”
A sexóloga aponta, porém, que não é só a pornografia que presta esse papel. As redes sociais também fomentam ideia de perfeição e pressão sobre o corpo e a performance.
“As redes sociais, com sua cultura de exibição e busca por validação, também podem influenciar. A curadoria de ‘vidas perfeitas’ (incluindo a sexualidade implícita ou explícita) pode levar à comparação e à sensação de que a própria vida sexual não é ‘boa o suficiente’”, reforça.
Segundo a profissional, as mídias podem criar uma visão distorcida e padronizada “do que é ‘ser boa de cama’, afastando-se da realidade da diversidade e subjetividade do prazer humano.”
O que fazer, então? Na visão da expert, o segredo é ter um olhar crítico e lembrar que a vida sexual real é muito mais rica, complexa e pessoal do que o que é retratado nesses meios.






















