Mario Sabino

Flávio Bolsonaro e o sequestro da candidatura presidencial

O preço do resgate era a anistia a Jair Bolsonaro, mas os sequestrador aceitou a redução da pena. Ele e a família vão devolver a refém?

atualizado

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Vinícius Schmidt/Metrópoles
Flavio Bolsonaro aponta para a frente - Metrópoles
1 de 1 Flavio Bolsonaro aponta para a frente - Metrópoles - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

Flávio Bolsonaro sequestrou a candidatura à presidência da República. Queria como resgate a anistia a Jair, que deu o seu aval à operação. Diminuiu o preço para uma redução substancial da pena do ex-presidente.

Por causa do sequestro, que também propiciou limpar a área da encrenca da anistia, Hugo Motta colocou em votação na Câmara o PL da Dosimetria, que reduz de 7 para 2 anos e quatro meses o tempo de prisão fechada de Jair — e que igualmente alivia as penas exageradas impostas a toda aquela gente condenada pelo 8 de janeiro.

Aprovado como esperado pela maioria dos deputados, o PL também passará a toque de caixa no Senado. Tudo com o aval do STF. Quem apõe o jamegão no macete da Dosimetria, não esqueçamos o inesquecível, é Paulinho da Força, chapa do Centrão do tribunal e cujo partido é um dos autores da ADPF que propiciou a blindagem dos ministros do STF por Gilmar Mendes. Nesse sambinha, a base é uma só: vamos distensionar o ambiente, pessoal, porque tem de manter isso aí.

Em troca da aprovação do PL da Dosimetria, espera-se que Flávio solte no início de 2026 a candidatura presidencial do cativeiro, reabrindo o caminho para Tarcísio de Freitas, do mesmo Republicanos do presidente da Câmara.

A ver se Flávio vai frustrar o toma aqui e dá ali benemérito e manter a refém na má qualidade de candidatura “irreversível”. Afinal de contas, resta sempre o sentimento da família de que ela é a legítima e exclusiva proprietária da direita nacional.

O sequestro foi plano desesperado, embora menos desmiolado do que o de atiçar Donald Trump contra o STF, levado a cabo por Eduardo Bolsonaro. O agora refugiado nos Estados Unidos acreditava, ingenuamente, ser a pressão do presidente americano suficiente para livrar o pai da cadeia, mas o rolo todo ajudou Lula a estancar a sangria de popularidade.

Objetivo parcialmente alcançado com o sequestro, a candidatura de Flávio Bolsonaro sedimentou nos integrantes do Centrão a certeza de que eles precisam encontrar urgentemente um nome viável para a eleição presidencial do ano que vem.

Lula até continuaria a ser bom para os negócios, não tivesse o chefão petista caído em tentação. O chefão petista ouviu o canto da sereia da esquerda do seu partido, sequiosa de mais dinheiro para o assistencialismo eleitoreiro-revolucionário, e resolveu acionar o comunista dele no Supremo, Flávio Dino, para acabar com a orgia das emendas impositivas e ver se sobrava mais algum para o  projeto nacional-populista.

Muito diligente por adestramento histórico — a luta nunca deixou de continuar, companheiros —, Dino parece entusiasmado para instaurar em Brasília alguns processos de Moscou: uma espécie de Lava Jato para pegar os mencheviques das emendas e, com sorte, outras adjacências contrarrevolucionárias.

Tarcísio de Freitas é o nome preferido do Centrão, na sua versão lavada de centro-direita, mas o governador paulista se debate entre a ambição de tentar o Palácio do Planalto e a dúvida se vai embarcar nas roubadas de ter de enfrentar Flávio nas urnas ou de ter de o engolir como vice na chapa. No primeiro cenário, ele sempre terá a desculpa da lealdade a Jair Bolsonaro para se candidatar à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, uma barbada, se as pesquisas estão certas.

Vamos combinar que, ainda cinquentão, enxuto por caneta emagrecedora, com longo tempo pela frente para chegar ao Palácio do Planalto, ele não precisa arder agora na pira bolsonarista.

Se não for Tarcísio o candidato, a melhor opção para o Centrão é Ratinho Jr., que não deve nada aos Bolsonaros. Ainda mais jovem do que o governador paulista, ele estará dando sopa no último ano do seu segundo mandato (bem avaliado) como governador do Paraná.

Ratinho Jr. é menino de ouro no berço esplêndido do partidão de Gilberto Kassab. Só falta convencer o pai dele a aceitar a candidatura do filho e a trabalhar por ela no Nordeste, bastião de Lula, onde Ratinho pai tem grande penetração, com o perdão da expressão ruim. Kassab é muito convincente quando quer.

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