Manoela Alcântara

STF condena irmãos Brazão a 76 anos por mandar matar Marielle

A Primeira Turma do STF definiu as penas, as indenizações e as perdas das funções dos condenados pelos assassinatos de Marielle e Anderson

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Montagem com fotos da EBC
Domingos Brazão e Chiquinho Brazão
1 de 1 Domingos Brazão e Chiquinho Brazão - Foto: Montagem com fotos da EBC

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, a 76 anos e três meses de prisão, os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão como mandantes dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes. O ex-chefe da Polícia Civil do Rio Rivaldo Barbosa foi absolvido da acusação de mandante, mas condenado por obstrução de Justiça e corrupção passiva majorada. Veja a íntegra da sessão:


Penas impostas pela Primeira Turma do STF

  • Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro — 76 anos e 3 meses, além de 200 dias-multa, em regime fechado.
  • Francisco Brazão (Chiquinho), ex-deputado federal — 76 anos e 3 meses, além de 200 dias-multa, em regime fechado.
  • Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-major da Polícia Militar — 56 anos de reclusão, em regime fechado.
  • Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro — 18 anos de reclusão e 360 dias-multa, regime fechado.
  • Robson Calixto Fonseca, o Peixe — 9 anos de reclusão e 200 dias-multa, em regime fechado.

Veja como os ministros condenaram cada um dos acusados pela PGR:

  • Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro — condenado por organização criminosa armada, duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado.
  • Francisco Brazão (Chiquinho), ex-deputado federal — condenado por organização criminosa armada, duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado.
  • Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-major da Polícia Militar — condenado por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado.
  • Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro — absolvido dos homicídios, mas condenado por obstrução de Justiça e corrupção passiva majorada.
  • Robson Calixto Fonseca, o Peixe, ex-assessor de Domingos Brazão — organização criminosa armada.

Os quatro ministros da Primeira Turma — Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino — votaram para concordar parcialmente com as acusações feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A única divergência foi com relação a Rivaldo Barbosa.

STF condena irmãos Brazão a 76 anos por mandar matar Marielle - destaque galeria
15 imagens
Ministra Anielle Franco e o pai, Antônio
Ministra Anielle Franco, irmã de Marielle, acompanha julgamento de Marielle Franco no STF
STF subsititui Poderes, diz Aldo Rebelo
Ministro Flávio Dino
Ministro Alexandre de Moraes em julgamento do caso Marielle no STF
Julgamento do Caso Marielle na Primeira Turma do STF
1 de 15

Julgamento do Caso Marielle na Primeira Turma do STF

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Ministra Anielle Franco e o pai, Antônio
2 de 15

Ministra Anielle Franco e o pai, Antônio

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Ministra Anielle Franco, irmã de Marielle, acompanha julgamento de Marielle Franco no STF
3 de 15

Ministra Anielle Franco, irmã de Marielle, acompanha julgamento de Marielle Franco no STF

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
STF subsititui Poderes, diz Aldo Rebelo
4 de 15

STF subsititui Poderes, diz Aldo Rebelo

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Ministro Flávio Dino
5 de 15

Ministro Flávio Dino

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Ministro Alexandre de Moraes em julgamento do caso Marielle no STF
6 de 15

Ministro Alexandre de Moraes em julgamento do caso Marielle no STF

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Ministra Cármen Lúcia
7 de 15

Ministra Cármen Lúcia

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Ministro Cristiano Zanin
8 de 15

Ministro Cristiano Zanin

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Familiares de Marielle Franco na Primeira Turma do STF
9 de 15

Familiares de Marielle Franco na Primeira Turma do STF

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
STF condena irmãos Brazão a 76 anos por mandar matar Marielle - imagem 10
10 de 15

Hugo Barreto/Metrópoles
STF condena irmãos Brazão a 76 anos por mandar matar Marielle - imagem 11
11 de 15

Hugo Barreto/Metrópoles
Agatha Arnaus, viúva de Anderson Gomes
12 de 15

Agatha Arnaus, viúva de Anderson Gomes

Hugo Barreto/Metrópoles
Mônica Benício, viúva de Marielle Franco
13 de 15

Mônica Benício, viúva de Marielle Franco

Hugo Barreto/Metrópoles
Ministra Anielle Franco
14 de 15

Ministra Anielle Franco

Hugo Barreto/Metrópoles
Marinete Franco, mãe de Marielle
15 de 15

Marinete Franco, mãe de Marielle

Hugo Barreto/Metrópoles

Os magistrados também definiram indenizações, no valor total de R$ 7 milhões. Sendo R$ 1 milhão em favor de Fernanda Gonçalves Chaves, sobrevivente do ataque, e da filha dela. Além disso, os ministros estabeleceram R$ 3 milhões em relação a Marielle, sendo R$ 750 mil ao pai, R$ 750 mil à mãe, R$ 750 mil à filha e R$ 750 mil à viúva de Marielle.

No caso dos parentes de Anderson Gomes, são também R$ 3 milhões, sendo R$ 1,5 milhão à esposa, Ágatha, e R$ 1,5 milhão ao filho, Arthur.

A Primeira Turma do STF decidiu, ainda, que todos os condenados se tornam inelegíveis. A partir do trânsito em julgado, os direitos políticos de todos os condenados estão suspensos até o término da pena. Além de estarem inelegíveis, não podem sequer votar.

Por fim, fica determinada a perda do posto, da patente ou graduação do militar estadual como efeito secundário da condenação. Também está decretada a perda dos cargos públicos de todos os réus.

No caso de Domingos Brazão, ele perde a remuneração mensal de cerca de R$ 56 mil do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Até esta terça, ele ainda recebia o salário, mesmo após ser formalmente denunciado e preso preventivamente no âmbito do processo que tramita no STF.

Crime político

Alexandre de Moraes, relator do caso, ao proferir seu voto, chamou os assassinatos de crime político de uma organização criminosa que visava manter um esquema de grilagem de terras para milícias.

Para o relator, a motivação dos irmãos Brazão foi a manutenção das atividades ilegais de milícia, sobretudo de grilagem de terras.

“Não há dúvidas de que Marielle se tornou um obstáculo político para a organização criminosa. Era uma pedra no caminho. E esse foi o principal motivo para que fosse determinada a execução da vereadora”, disse Moraes.

Moraes considerou ainda o crime como um “episódio de política de gênero. Mataram uma mulher que ‘ousou’ ir de encontro aos interesses de homens brancos e ricos. O que eles não esperavam era essa repercussão”, disse o ministro ao votar.

“Aqui também há essa misoginia. Essa ideia de violência política de gênero, fazendo de Marielle Franco um alvo ainda mais atrativo para esses milicianos darem o seu recado. O recado era: ‘Não aceitamos esse enfrentamento‘”, disse, ainda, Moraes.

O ministro foi acompanhado pelos demais magistrados da Corte. Em voto emocionante e de indignação durante o julgamento, Cármen Lúcia disse que o processo tem feito mal a ela. “Esse processo tem me feito muito mal, física e psicologicamente. Me faz mal pela impotência do direito diante da vida dilacerada”, afirmou.

No mesmo momento, questionou: “Quantas Marielles o Brasil permitirá que sejam assassinadas para que se ressuscite a ideia de justiça nesta pátria? Quantas Luyaras e Arthurs vão ficar órfãos para que o Brasil resolva isso?”, perguntou a ministra.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?