Claudia Meireles

UnB e Stanford se unem em estudo sobre tratamento de apneia do sono

Liderado pelo cientista e ortodontista Jorge Faber, o estudo foi publicado pelo periódico Journal of the American Dental Association (Jada)

atualizado

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Engenho Comunicação/Imagem cedida ao Metrópoles
Jorge Faber_1
1 de 1 Jorge Faber_1 - Foto: Engenho Comunicação/Imagem cedida ao Metrópoles

Pelas estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma a cada três pessoas no mundo sofre com apneia obstrutiva do sono (AOS), condição de saúde grave que requer atenção devido a respiração parar por alguns segundos enquanto um indivíduo dorme. Consequentemente, ocorre a redução da quantidade de oxigênio que entra no organismo e o repouso é interrompido por várias vezes. Além disso, um efeito da doença é o ronco.

Entre as terapêuticas, consta o aparelho que gera a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP). Inclusive, esse é considerado um dos mais conhecidos. Entretanto, pacientes relatam desconfortos e dificuldades em manter o dispositivo, o que gera baixa adesão e atrapalha o tratamento. Uma alternativa para quem enfrenta a apneia obstrutiva do sono foi estudada pelo PhD Jorge Faber, dentista e professor da Universidade de Brasília (UnB).

Foto colorida de homem roncando enquanto dorme - Metrópoles
A apneia obstrutiva do sono foi estudada pelo PhD Jorge Faber, dentista e professor da Universidade de Brasília (UnB)

Liderada pelo ortodontista, a pesquisa — que analisou a aderência ao tratamento que usa o aparelho de avanço mandibular — foi publicada recentemente no renomado periódico Journal of the American Dental Association (Jada). O estudo é resultado de uma colaboração internacional entre cientistas da UnB e da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Faber “batizou” o dispositivo de “pijama dos dentes”.

“É importante salientar que essa pesquisa, parceria entre a UnB e a Universidade de Stanford, representa o estudo mais abrangente publicado em todo o mundo, até o presente momento, sobre a adesão ao tratamento com o aparelho de avanço mandibular. Ao ser veiculado no periódico de influência como o Jada, essa análise alcança profissionais de todo o planeta dedicados ao tema. E, assim, os resultados obtidos poderão ajudar mais médicos e dentistas que tratam pacientes acometidos pela apneia do sono”, argumenta Faber.

Apneia do sono

Em entrevista à coluna Claudia Meireles, o PhD acentua que a apneia do sono é uma “doença potencialmente grave”. Ele enfatiza sobre a condição afetar em torno de 50 milhões de brasileiros e, quando não tratada, diminui a qualidade e a expectativa de vida de quem é acometido pelo problema. Também pode elevar o risco de diabetes, Alzheimer, impotência e doenças cardiovasculares.

Foto colorida de mulher deitada em cama ao lado de um relógio - Metrópoles
A apneia prejudica o sono e pode aumentar o risco de algumas doenças

“A apneia do sono é caracterizada por fechamentos repetidos das vias aéreas durante o sono. E quanto mais frequentes são os fechamentos, mais grave se torna a condição do paciente”, define Faber. O professor da UnB prossegue ao enfatizar que a doença costuma estar acompanhada de uma “sirene”, no caso, o ronco.

O ronco alto, que pode ser ouvido até do quarto ao lado, é um sinal de alerta importante para a existência de uma condição grave de apneia. Isso indica a necessidade de acompanhamento e tratamento profissionais

Jorge Faber

“Pijama dos dentes”

Antes de dar detalhes do estudo publicado no periódico científico Jada, o ortodontista explica que o aparelho de avanço mandibular mantém o maxilar inferior em uma posição avançada durante o uso ao longo do sono. “Essa postura faz com que a língua, parte do céu da boca e outros tecidos moles dessa região do corpo se movimentem para frente”, elucida.

A pesquisa publicada no periódico Jada é uma parceria entre a UnB e a Universidade de Stanford, nos EUA

Jorge Faber acrescenta que o deslocamento sutil promovido pela utilização do aparelho aumenta as dimensões das vias aéreas: “Isso facilita a passagem do ar enquanto o paciente está dormindo”. Com relação ao uso do “pijama dos dentes” por quem enfrenta a condição de saúde, o cientista complementa que junto à melhora da apneia obstrutiva do sono, há uma importante redução do ronco.

De acordo com o professor da UnB, tanto o aparelho que gera a pressão positiva contínua nas vias aéreas quanto o de avanço mandibular “são corretos e fundamentados em pesquisas científicas robustas”.

Ambas as opções apontam para resultados de tratamentos eficazes para a apneia do sono, salienta o dentista. Ele sustenta que a ciência conseguiu demonstrar maior adesão ao “pijama dos dentes” por parte dos pacientes perante o CPAP.

“Essa maior aderência pelos pacientes decorre do conforto com o uso do aparelho, da melhor portabilidade e da alta eficácia. Entretanto, cerca de 3% a 5% dos casos de apneia do sono têm uma severidade elevada a ponto de apenas o CPAP ou uma cirurgia ortognática poderem oferecer bons resultados”, detalha o cientista a respeito do “pijama dos dentes”.
Foto colorida de homem com o aparelho CPAP, que trata a apneia do sono - Metrópoles
Paciente com o aparelho de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP)

Estudo sobre apneia do sono

Publicado no Journal of the American Dental Association (Jada), o estudo Avanço mandibular de terapia de longo prazo com aparelho para apneia obstrutiva do sono analisou a adesão e os resultados do tratamento em pacientes que utilizam o dispositivo há mais de uma década.

Abaixo, confira detalhes da pesquisa desenvolvida em uma parceria entre a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade de Stanford, nos Estados Unidos:

  • Os autores do estudo avaliaram pacientes que receberam diagnóstico de apneia obstrutiva do sono (AOS) e foram tratados com o aparelho de avanço mandibular por mais de 10 anos.
  • O grupo de pesquisa reuniu 839 pacientes diagnosticados com a condição e que iniciaram a terapia com o aparelho de avanço mandibular por um período superior a 10 anos.
  • Do total, um subconjunto de 298 pacientes foi submetido à polissonografia, também conhecido como exame do sono; e à pós-titulação.
  • Os pacientes participaram de uma pesquisa em que responderam um questionário distribuído eletronicamente.
  • A análise abrangeu a melhoria percebida nos sintomas da apneia do sono e os níveis de satisfação relatados pelos participantes.
  • Os cientistas também verificaram os fatores que afetaram a adesão e a descontinuação do tratamento.
  • Quanto aos resultados, 121 pacientes, isto é, 54,5% enviaram o questionário respondido.
Foto colorida de homem fazendo uma polissonografia - Metrópoles
Uma parte dos pacientes da pesquisa teve de fazer uma polissonografia, ou seja, o exame do sono

Segundo a pesquisa, a principal razão pela busca por um tratamento de apneia do sono esteve relacionada ao fato de o ronco incomodar o parceiro de cama ou de quarto. Esse número correspondeu a 77,6%. Outro tópico motivador para recorrer à terapia envolveu a ocorrência de dores de cabeça matinais. No questionário, os pacientes responderam sobre perceber uma melhora do sono a partir do uso do aparelho de avanço mandibular.

No artigo publicado, os cientistas frisaram: “Os resultados da terapia com o aparelho de avanço mandibular a longo prazo por indivíduos diagnosticados com apneia obstrutiva do sono, com mais de uma década de uso [do dispositivo], evidenciaram benefícios significativos na melhora da autopercepção dos sintomas da condição, na redução da sonolência diurna e no aumento da satisfação do parceiro.”

Foto colorida de homem roncando enquanto dorme. Ao lado, tem uma mulher deitada com as mãos no ouvido - Metrópoles
Um dos motivos para os pacientes com apneia obstrutiva do sono procurarem o tratamento foi a reclamação do parceiro de cama com relação ao ronco

Avaliação do cientista

À coluna, Jorge Faber enfatiza que o conforto oferecido pelo aparelho de avanço mandibular e os resultados alcançados com o tratamento fizeram com que metade dos pacientes pesquisados seguissem usando a terapia após mais de 10 anos. Ele pontua a respeito do estudo abordar quais eram os “fatores preditores” de aderência à terapêutica por parte dos pacientes depois de tantos anos.

“Pelo estudo, nós descobrimos quais foram os importantes fatores para a continuidade do tratamento com o ‘pijama dos dentes’ por mais de uma década: ter o parceiro de cama ou de quarto satisfeito com a terapia, devido à redução do ronco; notar como o tratamento melhorou a qualidade de sono e de vida; e entender a gravidade da doença não tratada”, ressalta o PhD e professor da UnB.

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