Empregada agredida por embaixadora foi identificada ao embarcar para Filipinas

Policiais federais abordaram a vítima no Aeroporto de Brasília, na última quarta-feira (21/10). Até então nome e idade eram desconhecidos

atualizado 27/10/2020 11:16

Embaixada Filipinas Reprodução/Google Street View

A empregada doméstica agredida pela embaixadora das Filipinas no Brasil, Marichu Mauro, só foi identificada pelos investigadores ao embarcar para o seu país de origem na última quarta-feira (21/10). A pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT), ela foi abordada por agentes da Polícia Federal no Aeroporto de Brasília.

De acordo com a procuradora à frente das investigações, Carolina Mercante, a vítima disse aos policiais que não daria nenhuma declaração sobre as denúncias contra a ex-patroa. “Ela apresentou o passaporte e o contrato de trabalho. Só assim conseguimos informações mais completas sobre ela”, explicou a procuradora à Grande Angular.

O inquérito no MPT foi aberto após um funcionário da Embaixada das Filipinas entregar aos investigadores gravações do circuito interno de segurança da representação diplomática do país asiático em Brasília. Os vídeos mostram Marichu agredindo fisicamente a funcionária com tapas no rosto e puxões de orelha.

“Recebemos as gravações, mas enfrentamos dificuldades, por ser tratar de uma embaixada, para identificar a vítima. Não podemos, por exemplo, notificar a representação diplomática ou requisitar documentos”, explicou a procuradora.

Os policiais questionaram se a vítima, de 51 anos, se sentia segura em voltar para as Filipinas e se ela teria suporte em seu país natal. Ela teria respondido que estava tranquila com o retorno.

Em nota divulgada nessa segunda-feira (26/10), o Itamaraty disse que “o Ministério dos Negócios Estrangeiros das Filipinas informou que a funcionária doméstica está recebendo cuidados necessários ao seu bem-estar”.

O governo das Filipinas ordenou, também na segunda-feira, o retorno da embaixadora ao país. O chefe da diplomacia filipina, Teddy Locsin Jr. disse, em uma rede social, que a embaixadora deve voltar imediatamente para “explicar os maus-tratos com sua equipe de serviços gerais”.

 

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Outras agressões

Como mostrou a Grande Angular, o MPT investiga se a embaixadora agrediu outros funcionários da representação diplomática. As câmeras de vigilância interna do prédio registraram cenas de possíveis agressões verbais, de acordo com a procuradora Carolina Mercante.

Ao todo, de acordo com a investigação, a embaixada conta com 12 funcionários, sendo 3 deles brasileiros. Os outros teriam nacionalidade filipina.

Mesmo com a vítima e autora fora do território brasileiro, as investigações não vão parar, afirmou a procuradora. “Queremos saber quais são as condições de trabalho dos funcionários da embaixada. Vamos continuar apurando. Não se pode admitir que dentro do nosso país haja graves violações de direitos humanos e pessoas submetidas ao trabalho degradante”, explicou.

Marichu tem imunidade diplomática e só pode ser investigada criminalmente por instituições filipinas. A embaixada, no entanto, pode ser alvo de ações judiciais decorrentes das denúncias em apuração.

Marichu Mauro está no cargo desde 7 de abril de 2018. Ela chegou a ser homenageada pelo então presidente Michel Temer, que recebeu suas credenciais diplomáticas. No início de outubro, ela foi condecorada pelo presidente Jair Bolsonaro. Desde janeiro, Marichu Mauro também representa as Filipinas junto a Venezuela como embaixadora não residente. Ela é ainda embaixadora na Guiana, na Colômbia e no Suriname.

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