Youtuber negro abordado por PMs fala em “constrangimento” e “opressão”

Segundo Filipe Ferreira, após o fim do vídeo que viralizou nas redes, os policiais da Cidade Ocidental continuaram falando alto

atualizado 30/05/2021 12:07

AbordagemReprodução

Goiânia – Depois de ser alvo de abordagem de policiais militares enquanto fazia manobras de bicicleta na Cidade Ocidental, no Entorno do Distrito Federal, um ciclista e youtuber negro disse que se sentiu constrangido ao ter armas apontadas contra ele.

Filipe Ferreira afirmou que os policiais não tinham motivo para algemá-lo e ainda continuaram agindo com opressão após terem desligado a câmera do celular dele. O ciclista gravava vídeo das manobras para publicar em seu canal no YouTube. A ação policial ocorreu na sexta-feira (28/5).

Veja o vídeo:

“Eu estava só me divertindo no meu horário de lazer. Fiquei muito constrangido porque tinham crianças lá olhando eu fazer a manobra no parquinho. Tinham pais lá, tinha gente fazendo caminhada”, afirmou, em áudio enviado à TV Anhanguera, afiliada da Globo, em Goiás.

O youtuber reclamou da forma como foi abordado. “Eu acho que não precisavam ter me algemado, terem me tratado da forma que eles me trataram”, desabafou ele, que também trabalha como eletricista.

A Polícia Militar informou que apura o caso. Em entrevista ao Metrópoleso secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás, Rodney Miranda, prometeu “punição” se for confirmado abuso de autoridade por parte dos PMs.

“Opressão”

Ao ser abordado, o youtuber Filipe Ferreira questionou o motivo, recebeu respostas ríspidas dos policiais, viu armas apontadas para ele a todo momento e foi algemado porque, segundo os PMs, aquele era o “procedimento”.

“Após o vídeo, foi a mesma opressão. Continuaram me oprimindo, falando alto no meu ouvido e dizendo que eu estava os desacatando, sendo que eu não estava falando absolutamente nada”, afirmou o youtuber, no áudio.

De acordo com o jovem, os PMs alegaram que o rapaz foi abordado porque o local é frequentado por traficantes. “Eles ainda estão alegando que eu estava em um lugar que é um ponto de uso e tráfico de droga. Eu só tenho a verdade comigo. A verdade é a que está no vídeo”, contou.

O youtuber disse, também, que teve de assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por desobediência. Em seguida, foi liberado.

Gravação no celular

Enquanto era abordado, o youtuber continuou a gravação do vídeo no celular. Um dos policiais ordenou que ele descesse da bicicleta. Imediatamente, o jovem perguntou o motivo, e o PM, com a arma apontada para o rapaz, apenas disse: “Porque estou mandando”.

“Mandando? Não é assim, não. Por quê?”, perguntou o youtuber, que, em seguida, foi obrigado a colocar as mãos na cabeça e algemado sob a alegação de que ele “não obedeceu a ordem legal”. “Para que me tratar desse jeito? Não é assim, não”, afirmou o youtuber. No vídeo, um dos PMs ainda disse que “esse é o procedimento”.

Nas redes sociais, o jovem expressou sua indignação. “Não entendi o porquê que apontava a arma para mim, como se fosse disparar a qualquer momento. Realmente, não entendi nada. Fiquei me perguntando se eles me abordaram por conta da cor da minha pele ou se realmente eu tinha feito algo que precisou até de algema.”

A abordagem policial gerou revolta na internet. Milhares de internautas criticaram o abuso de autoridade por parte dos policiais militares. O Metrópoles não conseguiu localizá-los para que se manifestem, já que os nomes não foram divulgados pela corporação. O portal também não obteve retorno do ciclista.

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