Usar FGTS para quitar dívidas? Entenda o plano em estudo pelo governo
Medida pode alcançar milhões de trabalhadores, mas ainda depende de definição de regras e enfrenta dúvidas sobre impacto
atualizado
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O governo federal prepara um pacote para liberar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com foco em aliviar o endividamento das famílias e destravar valores que hoje estão retidos, especialmente para trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário.
A medida ainda não foi oficialmente detalhada, mas a expectativa é que alcance cerca de 10 milhões de pessoas e envolva mais de R$ 7 bilhões de reais.
A proposta faz parte de um conjunto mais amplo de ações voltadas à renegociação de dívidas e à ampliação do crédito.
A ideia é permitir que trabalhadores utilizem recursos do FGTS para quitar débitos ou reduzir o valor das parcelas mensais, melhorando o orçamento doméstico. Nesse desenho, o uso do dinheiro pode não ser totalmente livre, com possibilidade de direcionamento direto para o pagamento de dívidas junto a instituições financeiras.
Um dos principais focos da iniciativa é resolver a situação de trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário. Nessa modalidade, o trabalhador pode retirar uma parte do saldo do FGTS anualmente, mas abre mão do saque integral em caso de demissão sem justa causa. Isso fez com que muitos ficassem com valores presos nas contas do fundo após perderem o emprego.
A nova proposta em discussão busca destravar esses recursos. A intenção é permitir que esses trabalhadores tenham acesso ao saldo retido, sobretudo em casos de endividamento, o que ampliaria o alcance da medida e daria fôlego financeiro a esse grupo.
Apesar do avanço nas discussões, pontos importantes ainda não foram definidos. O governo precisa esclarecer quem terá direito ao saque, quais serão os limites de retirada, como será feito o pagamento e se os recursos poderão ser usados livremente ou estarão vinculados à quitação de dívidas. Também não há definição sobre o calendário de liberação.
A proposta divide especialistas. De um lado, há avaliação de que a medida pode ajudar a destravar o consumo e aliviar a situação financeira das famílias no curto prazo.
De outro, há críticas sobre o uso recorrente do FGTS, que foi criado como uma espécie de poupança para proteger o trabalhador em momentos de desemprego. Técnicos também alertam que saques frequentes podem reduzir a capacidade do fundo de financiar áreas como habitação e infraestrutura.
O governo ainda deve detalhar o formato final da medida antes de anunciá-la oficialmente, em meio à expectativa de que o pacote funcione como um instrumento para reduzir a inadimplência e estimular a economia.
