Senadora Kátia Abreu critica Eduardo Bolsonaro por declarações contra China

Representante do agronegócio, a senadora informou que postura do filho do presidente é "isolada" e que não representa a voz dos brasileiros

atualizado 26/11/2020 13:30

Elza Fiuza/Agência Brasil

Após a reação do embaixador da China do Brasil, Yang Wanming, às declarações do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sobre a tecnologia de internet 5G, a senadora Kátia Abreu (PP-TO) enviou uma carta ao embaixador classificando as mensagens do filho do presidente Jair Bolsonaro como “isoladas”.

Segundo a congressista, as falar de Eduardo Bolsonaro são “posições políticas isoladas” que “não representam a voz dos brasileiros”.

“Reitero aqui a minha convicção de que posições políticas isoladas não representam a voz dos brasileiros. Prefiro acreditar nas relações sino-brasileiras como sinônimo de cooperação e amizade”, disse a senadora, que está internada no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para tratamento da Covid-19.

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Representante do agronegócio, setor que poderia ser um dos principais afetados diante de uma eventual represália chinesa, a senadora ressaltou no ofício que a China é relevante para o setor produtivo brasileiro, por ser o principal destino de vários produtos da pauta de exportação.

“A nação chinesa tem grande relevância para o desenvolvimento de diversos setores produtivos do Brasil e é o destino principal de vários produtos da nossa pauta de exportações. Já estive na China em 10 oportunidades, e a cada nova visita descubro um país fabuloso, com acelerado e sustentado crescimento econômico, elevado nível de investimentos estrangeiros, dinamismo, inovação e competitividade admiráveis”, elogiou a senadora.

Ameaça

Na terça-feira (24/11), nota do embaixador chinês afirmou serem “infundadas” as mensagens publicadas nas redes sociais pelo deputado.

Segundo Wanming, são manifestações que “solapam” a relação entre os dois países. Ele ainda pediu que o parlamentar “cesse as desinformações e calúnias”, e enfatizou: “Caso contrário, vão arcar com as consequências negativas e carregar responsabilidade histórica de perturbar a normalidade da parceria China-Brasil”.

Eduardo, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, havia postado na noite de segunda-feira (23/11) mensagem na qual dizia que o governo brasileiro declarou apoio a uma “aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China”. O 5G é o nome atribuído à internet móvel de quinta geração, na qual China e Estados Unidos disputam mercados em todo mundo.

Após a manifestação do embaixador, o Ministério das Relações Exteriores tomou as dores de Eduardo Bolsonaro e reagiu às críticas, classificando-as como “ofensivas”.

O Itamaraty enviou uma carta à Embaixada da China no Brasil na qual, entre outros pontos, diz: “Não é apropriado aos agentes diplomáticos da República Popular da China do Brasil tratarem dos assuntos da relação Brasil-China através das redes sociais”.

De acordo com a nota, o posicionamento da China contra Eduardo por meio das redes sociais “não é construtivo, cria fricções completamente desnecessárias e apenas serve aos interesses daqueles que, porventura, não desejam promover as boas relações entre Brasil e China”.

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