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Ruralista arrecadador de campanha de Bolsonaro deve R$ 482 mil à União

Bruno Scheid, pecuarista de Ji-Paraná (RO), tem livre acesso ao gabinete presidencial no Palácio do Planalto

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Foto: Isac Nóbrega/PR
Pecuarista Bruno Scheid sentou ao lado esquerdo do presidente Jair Bolsonaro (PL)
1 de 1 Pecuarista Bruno Scheid sentou ao lado esquerdo do presidente Jair Bolsonaro (PL) - Foto: Foto: Isac Nóbrega/PR

Apontado como um dos arrecadadores de dinheiro para a campanha de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), o pecuarista de Ji-Paraná Bruno Scheid (PL-RO), de 38 anos, deve R$ 482.191,46 à União.

O dado foi levantado pelo Metrópoles com o auxílio da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Segundo a plataforma, o ruralista tem duas dívidas ativas em seu nome: uma no valor de R$ 354.798,07 e outra de R$ 127.393,39. Ambas são relacionadas a débitos tributários.

Bruno Scheid é pré-candidato a deputado federal por Rondônia pelo PL, partido de Bolsonaro.

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Ele tem sido indicado como principal responsável por captar recursos para a campanha presidencial de Bolsonaro no meio ruralista.

Na segunda-feira (7/3), Scheid sentou-se ao lado esquerdo de Bolsonaro durante reunião com a categoria. O encontro, realizado inicialmente fora da agenda oficial do chefe do Planalto, contou com 50 representantes do agro.

Segundo a revista Crusoé, os produtores rurais se mobilizam para doar, cada um, ao menos uma cabeça de gado à campanha de Bolsonaro.

O jornal O Estado de S. Paulo revelou que Scheid é próximo da primeira-dama do país, Michelle Bolsonaro, e do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), o filho “02” do presidente. Além disso, tem livre acesso ao gabinete presidencial.

Em suas redes sociais, o pecuarista de Ji-Paraná também tem fotos com o ministro-chefe do GSI, general Augusto Heleno, o senador Flávio Bolsonaro (PL), os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PSL) e Hélio Negrão (PSL), e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Em nota publicada na quinta-feira (9/3), Scheid afirmou nunca ter tratado de arrecadação de recursos para campanha política.

“Somos homens e mulheres ligados ao campo e que não desejamos mais ver a política nefasta e baixa do Partido dos Trabalhadores voltar ao comando do país”, escreveu o pecuarista.

“Com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, as pessoas do campo voltaram a ter dignidade e respeito, as invasões acabaram, e passamos a ter o direito de defender nossas propriedades”, prosseguiu, sem esconder apoio a Bolsonaro.

Até dezembro de 2010, Scheid foi sócio da ABS Comércio de Móveis e Representação Comercial LTDA, que tinha sede em Pinheiros, São Paulo.

Por sua vez, a empresa tem dívida de R$ 835.559,02. Desse total, R$ 769.373,38 incluem débitos tributários e R$ 66.185,64 são de passivos previdenciários, detalha a PGFN.

Hoje, a inscrição do CNPJ da companhia consta como baixada devido a “inexistente de fato”.

De acordo com a Receita Federal, “inexistente de fato” significa que a empresa: 1) não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização do objeto; 2) não foi localizada no endereço informado à Receita; 3) ou estava com as atividades paralisadas.

“A dívida pode ser atribuída ao sócio desde que haja procedimento de apuração de responsabilidade tributária pela PGFN, ou, se em sede de execução fiscal, esta for redirecionada a ele”, explica o advogado Mateus da Cruz, especialista em direito tributário e sócio da Dias, Lima e Cruz Advocacia.

Procurado para esclarecer a dívida ativa de quase meio milhão de reais, Scheid não respondeu e bloqueou o contato da reportagem no Instagram.

Colaborou Claudia de Jesus, pós-graduanda em jornalismo investigativo.

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