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Política

Ministro Mendonça Filho é vaiado por servidores da Cultura

Líder do DEM na Câmara, o ministro que assumiu o recém-criado Ministério da Educação e Cultura esteve no órgão na tarde desta sexta (13/5) e foi recepcionado com hostilidade pelos servidores

13/05/2016 17:28
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Reprodução
Ministro Mendonça Filho é vaiado por servidores da Cultura

O primeiro encontro de Mendonça Filho, novo ministro da Educação e Cultura, com os servidores da ala cultural do recém-criado ministério não teve paixão, nem alegria. A reunião nada agradável aconteceu na tarde desta sexta (13/5) e foi marcada por protestos e vaias.

Visivelmente incomodado, o ministro não conseguia completar sua fala. Era interrompido por gritos de “golpista” e vaias. Líder do DEM na Câmara dos Deputados, o pernambucano garantiu que vai preservar as políticas culturais e disse que não pretende extinguir nenhum órgão ligado ao MinC. Ele não conseguia sequer citar os nomes de alguns deles, como Funarte e Fundação Palmares.

Quero pedir permissão e um pouco da atenção de vocês, respeitando, evidentemente, o ponto de vista de cada um. Eu acho que cultura e educação representam o significado de valores democráticos. A gente pode divergir de forma muito radical, a gente pode compreender o momento vivido pelo Brasil de forma bem diferente, mas eu gostaria que de ter o direito de defender o que eu penso

Mendonça Filho, ministro da Educação e Cultura

Mendonça Filho falou ainda sobre políticas culturais. Como só citou a Lei Rouanet, foi motivo de risada entre os servidores. Embora breve, a fala deixou o clima tumultuado e tenso nos corredores do ministério. Os servidores não se sentem 100% seguros com a nova fase.

A preocupação com a fusão do MEC com o MinC é intensa nas redes sociais. No Facebook e no Twitter, listas de assinaturas e campanhas contra a saída de Juca Ferreira da Cultura têm circulado.

Veja algumas das reações de artistas à extinção do MinC:

Anna Muylaert (cineasta):
“Eu estou aqui absorvendo todas essas ações. Acho chocante já haver tantas decisões nesse primeiro momento. Já é bastante chocante, ainda é um governo interino. Acho difícil comentar qualquer assunto de um governo que considero ilegítimo. É prematuro fazer um julgamento porque não sei exatamente o que eles estão pensando. Cultura e educação são coisas completamente diferentes, se embolar uma com a outra, as duas saem perdendo. Acho nocivo, a princípio, um retrocesso. Esse papo de ‘artistas mamando na teta’ é um equívoco enorme, não entendo. É ofensivo. Por enquanto qualquer opinião é incompleta, mas não vejo com bons olhos.”

Dado Villa-Lobos (guitarrista da Legião Urbana):
“Voltamos a viver como a 30 anos atrás. E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas.”

Milton Hatoum (escritor):
“O fim do MinC e do McT e a nomeação de políticos irrelevantes à frente desses e de outros ministérios não me surpreendem. Cultura, educação e pesquisa científica foram rebaixados. A pantomima continua. Numa crônica de 1949, Rubem Braga escreveu: ‘Nossa vida política é, em seu jogo diário, de um nível mental espantosamente medíocre. Mental… e moral. Há uma cansativa tristeza, um tédio infinito nesse joguinho miúdo de combinação através das quais se resolve o destino da pátria’.”

Paulo Werneck (curador da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP)):
“A fusão é mais um sinal do encurtamento de horizontes do País. Vai na contramão de uma tendência internacional de valorização da cultura como política de Estado. A Itália aumentou em 27% o orçamento para a cultura neste ano, com um bilhão de euros só para o patrimônio histórico. No ano passado, Portugal recriou o seu Ministério da Cultura e o México elevou a Conaculta, maior fomentadora de cultura do país, ao status de ministério. O consolo é pensar que, neste governo, a manutenção do ministério significaria apenas mais um cargo à espera de um bispo da Igreja Universal, como aconteceu com a Ciência e Tecnologia.”

Ignácio de Loyola Brandão (escritor):
“Começou mal o período interino do vice-presidente. De cara, desaparece o Minc, sem que se saiba como será. Na verdade, governos jamais ligaram muito para a cultura. Nunca esperei nada de governos, de modo que para mim o que era ruim, ruim fica. Um projetinho aqui, um programinha ali, e pronto. Se alguém souber quando houve uma política cultural merece o prêmio Nobel ou a mega sena. Nenhuma surpresa. Que o vice poeta tenha piedade.”

Com informações da Agência Estado