Heleno sobre Gilmar Mendes associar Exército a genocídio: “Lamentável”

Ministro do Supremo Tribunal Federal criticava a condução da pandemia de Covid-19 no país pela Saúde, que tem um militar no comando interino

atualizado 13/07/2020 12:07

Michael Melo/Metrópoles

Militares do primeiro escalão do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) reagiram às declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, nas quais afirmou que o Exército está se associando a um “genocídio”.

Mendes criticava a condução da crise sanitária provocada pela pandemia do novo coronavírus pelo Ministério da Saúde, comandado pelo interino Eduardo Pazuello, que também é general.

O general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), afirmou em entrevista à Rádio Bandeirantes, nesta segunda-feira (13/7), que a afirmação do ministro do STF foi “muito infeliz” e “lamentável”.

“No meio militar a repercussão foi muito ruim. A declaração foi realmente muito infeliz. Será uma lástima se não se arrepender. Não tem genocídio acontecendo. Para chegar a genocídio falta muito. A declaração foi lamentável”, opinou Heleno.

Por meio de nota, o Ministério da Defesa reforçou que as Forças Armadas atuam diretamente no combate ao novo coronavírus, por meio da Operação Covid-19. Segundo a pasta, são empregados diariamente 34 mil militares, número maior do que o efetivo de 25.800 da Força Expedicionária Brasileira (FEB), enviada para combater na 2ª Guerra Mundial.

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A nota da Defesa não cita o nome de Mendes, mas elenca uma série de ações do ministério para combater a pandemia, entre elas a realização de descontaminações, o transporte de mantimentos e insumos e ações em áreas indígenas.

Leia a íntegra da nota encaminhada pelo Ministério da Defesa

O Ministério da Defesa (MD) informa que as Forças Armadas atuam diretamente no combate ao novo coronsvirus, por meio da Operação Covid-19. Desde o início da pandemia, vem atuando sempre para o bem-estar de todos os brasileiros. São empregados, diariamente, 34 mil militares, efetivo maior do que o da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial, com 25.800 homens. O MD tem o compromisso com a saúde e com o bem estar de todos o brasileiros de norte ao sul do País. A mobilização desta Pasta começou no dia 5 de fevereiro, quando foi deflagrada a Operação Regresso à Patria Amada Brasil. Na ocasião, foram resgatados 34 brasileiros de Wuhan, na China, antes mesmo de aparecer o primeiro caso confirmado de coronavírus no Brasil, em 26 de fevereiro.

A Operação Covid-19, criada em 19 de março de 2020, estabeleceu 10 comandos conjuntos espalhados por todo o Brasil, além do Comando Aeroespacial (COMAE). Os resultados mostram que a operação está atingindo os objetivos a que se propõe. De lá para cá, foram descontaminados 3.348 locais públicos; realizadas 2.139 campanhas de conscientização junto à população, 3.249 ações em barreiras sanitárias e 21.026 doações de sangue; distribuídos 728.842 cestas básicas; produzidos 20.315 litros de álcool em gel e capacitadas 9.945 pessoas para realizar ações de descontaminação.

É ainda importante destacar que já foram transportadas 17.554 toneladas de pessoal e equipamentos médicos via terrestre, 471 toneladas de pessoal e equipamentos médicos via transporte aéreo, voadas 1.334 horas, o equivalente a 14,5 voltas ao mundo.

As Forças Armadas realizam permanentemente atividades subsidiárias para cooperar com o desenvolvimento nacional e defesa civil. Este ano, em face à pandemia causada pelo novo coronavírus, os Ministérios da Defesa e da Saúde, em ação conjunta, intensificaram a assistência à saúde prestada a indígenas em diversas localidades carentes e isoladas do país. As mais de 200 missões em aldeias indígenas somente na Amazonia Ociental realizam atendimentos de saúde, promovem cuidados básicos de saúde e orientam sobre a prevenção de doenças, sempre respeitando os aspectos socioculturais, condizentes com a realidade de cada etnia.

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