Defesa comemora 31 de março de 1964: “Marco para a democracia”

Ministério divulga Ordem do Dia para ser lida nesta terça nos quartéis, como forma de enaltecer movimento que instaurou ditadura militar

atualizado 31/03/2020 7:14

O Ministério da Defesa divulgou, nesta segunda-feira (30/03), o que chamou e “Ordem do Dia Alusiva ao 31 de Março de 1964”, em comemoração aos 56 anos do “Movimento de 1964 – um marco para a democracia brasileira”.

A ordem do dia será lida nos quartéis nesta terça-feira (31/03), a exemplo do que ocorreu em 2019, quando, em seu primeiro ano de governo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) determinou as devidas comemorações do “movimento” encabeçado pelos militares para derrubar o presidente João Goulart e que instaurou uma ditadura que durou 21 anos.

Segundo o texto assinado pelo ministro Fernando Azevedo e Silva, “o Brasil reagiu com determinação às ameaças que se formavam àquela época”.

“Naquele período convulsionado, o ambiente da Guerra Fria penetrava no Brasil. Ingredientes utópicos embalavam sonhos com promessas de igualdades fáceis e liberdades mágicas, engodos que atraíam até os bem-intencionados. As instituições se moveram para sustentar a democracia, diante das pressões de grupos que lutavam pelo poder. As instabilidades e os conflitos recrudesciam e se disseminavam sem controle”, diz trecho do comunicado.

“A sociedade brasileira, os empresários e a imprensa entenderam as ameaças daquele momento, se aliaram e reagiram. As Forças Armadas assumiram a responsabilidade de conter aquela escalada, com todos os desgastes previsíveis”, completa.

Deposição de Jango

O golpe de 1964 iniciou-se, na prática, em 31 de março de 1964, mas culminou em 1ª de abril, quando os militares depuseram Goulart. No dia 2 de abril, Jango partiu de Brasília para Porto Alegre e Ranieri Mazilli (PSD) assumiu a presidência interinamente.

Dois dias depois, o presidente deposto exilou-se no Uruguai. Em 9 de abril, foi editado o Ato Institucional número 1, decreto militar que depôs o presidente e iniciou as cassações dos mandatos políticos. No mesmo mês, o marechal Castello Branco (Arena) foi empossado presidente com um mandato até 24 de janeiro de 1967.

Na Ordem do Dia deste 31 de março de 2010, outro trecho diz: “Os países que cederam às promessas de sonhos utópicos ainda lutam para recuperar a liberdade, a prosperidade, as desigualdades e a civilidade que rege as nações livres. O Movimento de 1964 é um marco para a democracia brasileira. Muito mais pelo que evitou”.

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