Bolsonaro chama senador Omar Aziz de “anta amazônica”

Ao comentar denúncias de corrupção na aquisição de vacinas, presidente também atacou cúpula da CPI da Covid-19: “três otários”

atualizado 19/07/2021 12:34

Após quatro dias internado, Bolsonaro deixa hospital em São PauloFábio Vieira/Metrópoles

Em interação com apoiadores na manhã desta segunda-feira (19/7), na saída do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chamou o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, senador Omar Aziz (PSD-AM), de “anta amazônica”.

O mandatário negava a existência de corrupção no governo quando comentou as investigações que a CPI tem feito sobre irregularidades na negociação de vacinas contra a Covid-19.

“Agora, você tem que tomar as medidas para evitar que aconteça o problema, já estamos há dois anos e meio sem corrupção no governo, agora tem essa CPI dos 3 otários, tentam de toda maneira colar ‘Ah, mas o Pazuello conversou com empresário’. Pô, se tivesse corrupção, não ia ter vídeo, meu Deus do céu, seria no porão, ou num canto qualquer. O tempo todo tentando ‘Ah, mas ele pensou em se corromper’, respondi para a repórter: Você sabe o que eu tô pensando sobre você?”, iniciou o presidente.

Vídeo revelado pelo jornal Folha de S.Paulo mostra que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello negociou com intermediadores a aquisição de 30 milhões de doses da vacina Coronavac pelo triplo do preço praticado pelo Instituto Butantan.

Em nota, o ex-ministro negou e afirmou que foi apenas cumprimentar representantes da empresa após reunião com a secretaria-executiva da pasta, então comandada pelo coronel Elcio Franco. A negociação não prosperou.

Em seguida, Bolsonaro atacou nominalmente Aziz e o relator do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

“O que a imprensa fazia naquela época? ‘Tem que comprar vacina, não interessa o preço’. Agora, quem queria comprar vacina, não interessando o preço e sem passar pela Anvisa era o Omar Aziz. Está documentado numa emenda que ele apresentou uma medida provisória nossa, sobre vacina, bem como o irmão do Renan Calheiros, o Renildo Calheiros, apresentou uma emenda igualzinha, que estados e municípios podiam comprar vacina sem a certificação da Anvisa e sem licitação. Imagina se aprova isso, hein, Omar Aziz? Mais conhecido como anta amazônica. Anta amazônica. Imagine se tivesse passado isso? Hein, Renan Calheiros? Teu irmão, Renan Calheiros. PCdoB, partido… Não vou falar o que é o C, né. C do Brasil…”

“Estariam alguns prefeitos e governadores comprando vacina a R$ 30 ou R$ 50 a dose, pode vacina até da lua, porque não precisava passar pela Anvisa”, prosseguiu. A conversa de Bolsonaro com apoiadores foi registrada por um canal no YouTube simpático ao presidente.

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Outras denúncias

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 também avança em suspeitas de irregularidades em negociações de outros imunizantes, como é o caso da vacina indiana Covaxin, alvo de investigações por quebra de contrato e superfaturamento. Após as denúncias virem à tona, o contrato foi suspenso pelo Ministério da Saúde.

Também é investigado o oferecimento de propina na negociação de 400 milhões de doses da AstraZeneca pela empresa Davati Medical Supply. Segundo um representante da empresa, o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias teria pedido propina de US$ 1 por dose de vacina contra a Covid-19 para fechar contrato com o Ministério da Saúde. A farmacêutica nega trabalhar com intermediários.

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