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O presidente Michel Temer (PMDB-SP) afirmou nesta quarta-feira (6/9) que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ficou “enfraquecido” após a revelação de que o empresário Joesley Batista, da JBS, e executivos da empresa omitiram informações sobre crimes nos acordos de delação premiada.

“Ele disse para nós: ‘Afinal, os fatos acabaram mostrando que eu tinha razão’ ”, contou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, um dos auxiliares que se reuniram com o presidente nesta quarta.

Temer fez a afirmação em conversa com ministros do núcleo político, após chegar nesta manhã da viagem à China, onde permaneceu por uma semana. O presidente se referia à descoberta de gravações que sugerem conduta criminosa do então procurador Marcelo Miller na delação da JBS e podem acabar anulando o acordo feito com a Lava Jato.

Miller era braço direito de Janot. Pediu exoneração em fevereiro para trabalhar como sócio no escritório Trench, Rossi e Watanabe, contratado para fazer o acordo de leniência da J&F, mas só deixou efetivamente o cargo em abril.

Em junho, ao ser denunciado pelo crime de corrupção passiva pela Procuradoria-Geral da República, Temer levantou suspeitas sobre a ligação entre Miller e Janot. À época, o presidente disse que o ex-procurador “ganhou milhões” em poucos meses.

“Garantiu ao seu novo patrão (Joesley) um acordo benevolente, uma delação que o tira das garras de Justiça, que gera uma impunidade nunca antes vista”, afirmou Temer, em pronunciamento no dia 27 de junho.

Nova denúncia
Na avaliação do Palácio do Planalto, a nova denúncia contra Temer — que deve ser apresentada por Janot, nos próximos dias, por obstrução da Justiça e organização criminosa — perdeu sentido diante da “fragilidade” do procurador-geral. Em 2 de agosto, o plenário da Câmara barrou o prosseguimento da primeira acusação contra o presidente. Janot deixará o posto no próximo dia 17.

Ao ser questionado nesta quarta-feira se o governo conseguiria aprovar a reforma da Previdência ainda neste ano, apesar da crise, Padilha respondeu que sim. “O governo é forte. Governo é governo”, disse ele, ao acrescentar que o debate sobre mudanças na aposentadoria será retomado tão logo seja encerrado o capítulo da reforma política.

O ministro da Casa Civil não quis comentar o fato de a Polícia Federal ter encontrado malas de dinheiro, com R$ 51 milhões, em apartamento usado pelo ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima, em Salvador. “São questões pessoais que não cabe a nós responder. Cada um responde por si”, afirmou Padilha.

 

 

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