Em sabatina, vice-presidenciáveis debatem ações públicas sustentáveis

Série de entrevistas é uma parceria do Metrópoles com a Articulação de Carreiras Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (Arca)

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 26/09/2018 22:32

Em vez de ataques entre candidatos, troca de acusações, frases de efeito e discussões que passam ao largo das propostas para se fazer um país melhor, as sabatinas realizadas pelo Metrópoles com candidatos a vice-presidente da República, nesta quarta-feira (26/9), serviram para que cada postulante ao cargo pudesse se posicionar quanto à visão de Estado, financiamento de políticas públicas, desenvolvimento sustentável e Direitos Humanos.

A iniciativa é uma parceria entre o Metrópoles e a Articulação de Carreiras Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (Arca) e tem por objetivo contribuir com o eleitor no sentido de fornecer o máximo de informações a respeito de cada candidato. Dessa forma, o cidadão poderá definir o seu voto no próximo dia 7 de outubro a partir de uma análise mais detalhada.

Nesta primeira série, foram sabatinados Germano Rigotto, vice na chapa emedebista encabeçada por Henrique Meirelles (ambos do MDB); Sônia Guajajara, vice de Guilherme Boulos (PSol); Ana Amélia (PP), vice do tucano Geraldo Alckmin; e Eduardo Jorge (PV), vice da candidata da Rede, Marina Silva. A sabatina com os vices prosseguirá no próximo dia 28, com Manuela D’Ávila, vice na chapa petista encabeçada por Fernando Haddad, e no dia 30 com Kátia Abreu, candidata na chapa do pedetista Ciro Gomes.

Financiamento
Os postulantes ao cargo de vice-presidente da República se posicionaram de forma bem diversificada quando abordados os temas financiamento das políticas públicas e a chamada emenda do teto de gastos.

Para Germano Rigotto, a decisão de congelar os gastos públicos foi acertada. “Não podíamos continuar em uma situação na qual a dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) estava no limite”, ressaltou. “Acho que seria um erro acabar com a Emenda Constitucional do teto de gastos”, pontuou.

Já Sônia Guajajara se disse radicalmente contrária à medida e prometeu revogá-la. “Ela não representa somente um atraso, mas uma limitação brutal aos investimentos públicos, que são exatamente as políticas que deveriam chegar à sociedade”, ponderou.

A senadora Ana Amélia, que votou pela aprovação da emenda, defendeu a proposta como forma de aumentar a responsabilidade com o gasto público. “Foi um freio na gastança dos governantes”, salientou.

Eduardo Jorge defendeu o corte de gastos, mas apontou que a medida deveria afetar a cúpula do país, e não as políticas em benefício da população. “Mais Brasil e menos Brasília”, destacou.

Conteúdo
Para o presidente da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento (Assecor), entidade articulada à Arca, Leandro Couto, a sabatina serviu para que, em vez dos ataques típicos de uma disputa eleitoral, fosse possível discutir conteúdos importantíssimos para a estruturação de políticas públicas.

“Houve uma discussão de conteúdo e, com isso, foi possível identificar a diferença entre os projetos que estão nos colocando neste processo eleitoral. Espero que as próximas entrevistas cumpram este mesmo propósito”, elogiou.

Para Roberto Muniz, presidente da Associação dos Servidores do CNPq (Ascon), as sabatinas deram ao eleitor a chance de conhecer o posicionamento de cada uma das candidaturas no que diz respeito ao financiamento de um modelo de desenvolvimento sustentável proposto pelos servidores que estão em contato, no dia a dia, com a elaboração e execução destas políticas.

Em relação ao controle de gastos, Muniz diz ser possível perceber que, mesmo entre os defensores da emenda, existe uma forma de flexibilizar o congelamento dos gastos previstos. “A proposta paralisa de ponta a ponta. Quem chegar vai precisar adotar medidas para poder governar”, sublinhou.

Secretário executivo da Associação dos Funcionários do Ipea (Afipea), Roberto Henrique Gonzales também ressaltou o caráter esclarecedor das sabatinas. “Ficou muito clara a diferença entre as propostas para o desenvolvimento sustentável e sobre o papel do Estado”, frisou.

Parceira nessa série de entrevistas, a Arca reúne 12 instituições representativas dos servidores de carreiras da administração direta e indireta: ​Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES); Associação dos Funcionários do Ipea (Afipea); Associação Latino-Americana de Juízes do Trabalho (ALJT); Associação Nacional da Carreira de Desenvolvimento de Políticas Sociais (Andeps); Associação Nacional dos Servidores Ambientais (Ascema); Associação dos Servidores do CNPq (Ascon); Associação Nacional dos Servidores do MCTIC (ASCT); Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN); Associação dos Servidores do Ministério da Cultura (AsMinc); Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento (Assecor); Indigenistas Associados (INA); e Associação Nacional dos Auditores e Técnicos Federais de Finanças e Controle (Unacon).

 Assista a íntegra das sabatinas desta quarta-feira (26):

Germano Rigotto:

Sônia Guajajara:

Ana Amélia:

Eduardo Jorge:

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