Polícia investiga mortes e estupros em clínica de reabilitação

Duas pessoas foram presas acusadas de manter internos em cárcere privado

Divulgação/PCGODivulgação/PCGO

atualizado 21/09/2019 15:32

Duas pessoas foram presas, neste sábado (21/09/2019), pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) acusadas de manter, em cárcere privado, os internos de centro particular de reabilitação de Aragoiânia (GO). As prisões ocorreram durante inspeção da Vigilância Sanitária. Em menos de dois anos, o local já foi palco de três mortes – que são investigadas pela corporação.

De acordo com os policiais, durante a visita, constatou-se higiene e instalações precárias. Outro problema encontrado pela PCGO foi a divisão dos internos: menores de idade compartilhavam quartos com dependentes químicos em tratamento e pessoas com distúrbios psiquiátricos.

As investigações tiveram início quando a  Polícia Civil recebeu denúncias sobre mulheres que eram agredidas, recebiam choques e eram abusadas sexualmente dentro da unidade. À PCGO, algumas vítimas relatam que funcionários designados para buscar as internas em suas casas mantinham, à força, relações sexuais com as pacientes.

A visita resultou, ainda, na apreensão de remédios, além de um facão, porrete e lanterna de choque usados para “controlar” as vítimas. Os responsáveis pelo espaço foram presos em flagrante por cárcere privado e maus tratos. Eles não tiveram os nomes divulgados para não atrapalhar as investigações.

Veja as condições em que os internos eram mantidos na unidade: 

Pacientes acorrentados

Em julho deste ano, outras cinco pessoas foram presas, entre funcionários e proprietários, de uma clínica em Cristalina, no Entorno do DF. Eles são acusados de manter pacientes acorrentados e os extorquir para que não abandonassem a internação.

Segundo o Ministério Público de Goiás, os locais não apresentavam estrutura condizente com as mensalidades cobradas pelas internações, que chegavam a R$ 2,5 mil. O órgão apurou que as edificações impediam o livre deslocamento dos acolhidos e possuíam “quartos de contenção”, onde os pacientes sofriam punições. Para garantir o controle, monitores intimidavam os internos com armas brancas, encontradas embaixo dos colchões dos funcionários.

Os donos dos estabelecimentos ainda retinham ilegalmente documentos, cartões de crédito, carteiras e bens pessoais dos acolhidos e de pessoas que já saíram desses locais – tudo para evitar que os deixassem. Quem se internava nas clínicas era proibido de contatar os familiares. Com medo, alguns ficaram internados nas unidades por mais de quatro anos.

No contrato padrão do primeiro estabelecimento fiscalizado estava previsto que o contato com a família seria mediante “uma ligação telefônica mensal, após 30 dias de internação, sendo pré-estabelecido o tempo de cinco minutos de duração, sempre em ligação a cobrar, sendo esta ouvida por um dos funcionários através do modo viva-voz”. Ainda, consta do documento a seguinte diretriz: “o sigilo é fator importante no tratamento; tudo o que você ver [sic] e ouvir aqui, deixe que fique aqui”.

Em aviso colado na parede do segundo estabelecimento investigado, lia-se: “proibido colocar objetos em cima do bebedouro: sujeito a correções”. Em cartaz afixado no terceiro local, constava a advertência de que “os internos que manusearem a bomba e os registros estarão sujeitos a experiência educativa”.

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