Mourão nega interferência na Petrobras: “Atribuição de Bolsonaro”

Após alta dos combustíveis, Jair Bolsonaro decidiu indicar o general Joaquim Silva e Luna para comandar a estatal

atualizado 22/02/2021 10:08

Vice-presidente Hamilton Mourão ao lado do presidente Jair BolsonaroRafaela Felicciano/Metrópoles

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), afirmou na manhã desta segunda-feira (22/2) que a mudança na presidência da Petrobras não se trata de interferência, mas de uma “atribuição do presidente Bolsonaro”.

“Não pô [não é uma intervenção], tá dentro das atribuições do presidente. O mandato do Roberto [Castello Branco] terminava dia 20 de março, poderia ser renovado ou não e a decisão é não renovar. Não vejo forma de intervir nos preços, até pela própria legislação que rege a companhia, que é o que está sendo comentado muito, não vai haver isso. É uma questão de confiança na pessoa que está lá, que o presidente colocou”, justificou.

Questionado se faltava confiança do presidente em Castello Branco, Mourão afirmou que talvez tenha faltado comunicação.

“De 1º de janeiro pra cá, o petróleo aumentou 25%, fruto do inverno mais frio do Hemisfério Norte, e a turma lá queima petróleo para poder se aquecer. No Hemisfério Norte a história é diferente, daí o preço flutua com essas condições internacionais”, disse. “Na minha visão, a solução pra isso seria se a gente conseguisse criar um fundo soberano com base nos royalties do petróleo, e esse recurso, quando tivesse essas flutuações, fosse utilizado para reduzir esse aumento”, completou Mourão.

Intervenção

Contrariado com a quarta alta consecutiva do ano no preço da gasolina, na quinta-feira (18/2), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ventilou a possibilidade de que faria alguma interferência na Petrobras.

Mesmo depois de ter dito inúmeras vezes que não interferiria na Petrobras, durante a live semanal, o chefe do Executivo disse que zeraria, em março, o imposto sob o diesel e que “alguma coisa” ocorreria na estatal nos próximos dias.

Na sexta-feira (19/2), em uma rede social, Bolsonaro avisou que substituiria o atual presidente da Petrobras pelo general Joaquim Silva e Luna.

“O governo decidiu indicar o senhor Joaquim Silva e Luna para cumprir uma nova missão, como conselheiro de administração e presidente da Petrobras, após o encerramento do ciclo, superior a dois anos, do atual presidente, senhor Roberto Castello Branco”, disse em uma nota à imprensa postada no Facebook.

 

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