Metanol: o que se sabe sobre crise da contaminação de bebidas no país

País tem 113 notificações de intoxicação por metanol, com 11 casos confirmados. PC apura ligação de quadrilhas e PF vê indícios de facções

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Homem de costas com garrafas de bebidas ao fundo - Metrópoles
1 de 1 Homem de costas com garrafas de bebidas ao fundo - Metrópoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Desde o início da última semana, o Brasil enfrenta um surto de intoxicações por metanol, uma substância química adicionada ilegalmente em bebidas alcoólicas para substituir o etanol, por ser mais barato. A última atualização, divulgada pelo Ministério da Saúde na tarde dessa sexta-feira (3/10), confirmou que o país ultrapassou a marca de 100 casos suspeitos, com pelo menos 113 notificações de contaminação por metanol espalhados por cinco estados, além do Distrito Federal.

Desse total, 11 casos foram confirmados – todos em São Paulo. Até o momento, o Brasil confirmou uma morte causada pela intoxicação por metanol. Outros 11 óbitos são investigados.


Veja os números oficiais de intoxicação por metanol no Brasil

  • São Paulo: 101 notificações – 11 casos confirmados e 90 casos suspeitos em investigação. Um óbito confirmado e oito em investigação.
  • Pernambuco: 6 casos suspeitos em investigação. Um óbito em investigação.
  • Distrito Federal: 2 casos suspeitos em investigação.
  • Bahia: 2 casos suspeitos em investigação. Um óbito em investigação.
  • Paraná: 1 caso suspeito em investigação.
  • Mato Grosso do Sul: 1 caso suspeito em investigação. Um óbito em investigação.

Desde a última terça-feira (30/9), a Polícia Federal (PF) investiga a procedência e a rede de distribuição de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. As primeiras apurações apontam que quadrilhas especializadas em adulteração de bebidas alcoólicas podem estar por trás da crise.

A PF ainda apura conexões com o tráfico de combustíveis e a importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá (PR) e já trabalha com a hipótese de que o esquema de adulteração de bebidas com metanol não se limita a produtores clandestinos isolados, com indícios de envolvimento de facções criminosas.

Como mostrou o Metrópoles, a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) relacionou a substância encontrada em bebidas em São Paulo – epicentro da crise – ao mesmo metanol importado ilegalmente pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para batizar combustíveis.

A ABCF suspeita que o fechamento de distribuidoras e formuladoras de combustível ligadas ao crime organizado podem ser a causa da onda de intoxicações e envenenamentos.

Amostras de bebidas recolhidas pela PF em São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina estão sendo analisadas com técnicas de rastreamento por isótopos estáveis — o chamado “DNA do metanol” — capazes de identificar se a substância usada tem origem vegetal ou deriva de combustíveis fósseis.

Nessa sexta, a instituição realizou fiscalização em indústrias de bebidas no interior de São Paulo, na região de Campinas; em Santa Catarina, nas cidades de Chapecó e Joinville; e em Minas Gerais, em Poços de Caldas.

Já a Polícia Civil de São Paulo trabalha com uma linha de investigação diferente.

Uma das hipóteses principais é a de que quadrilhas que vendem bebidas falsas usaram metanol para limpar garrafas de bebidas originais com o objetivo de reciclar os recipientes. Sem a higiene e o uso de água necessários, restos do químico teriam permanecido dentro das garrafas e causado as contaminações.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), equipes têm feito operações diárias em vários locais para fiscalizar a venda de bebidas alcoólicas e rastrear a origem dos produtos falsificados. O governo estadual já interditou nove estabelecimentos suspeitos de comercializar produtos adulterados, segundo último balanço da Secretaria do Estado da Saúde (SES).

Os bares e distribuidoras fechados cautelarmente pelas Vigilâncias Sanitárias Estadual e Municipal,  estão localizados nos bairros Bela Vista, Itaim Bibi, Jardins, Mooca, e M’Boi Mirim, na capital e nas cidades de Osasco, São Bernardo do Campo e Barueri, na Grande São Paulo.

Número de casos suspeitos segue em crescimento

Apenas entre a noite de quinta e sexta, o número de casos suspeitos de intoxicação por metanol no país aumentou 91,5%, ao passar de 59 para 113 notificações. De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a tendência é que o número aumente ainda mais nos próximos dias.

Em Pernambuco, os primeiros casos suspeitos foram registrados em Lajedo e João Alfredo, localizados no agreste do estado, e também em Olinda, conforme notificação da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE).

Já no Distrito Federal, o rapper Hungria, de 34 anos, foi internado às pressas pela manhã dessa quinta-feira (2/10), no Hospital DF Star, em Brasília, com sintomas compatíveis com o consumo de metanol. Ele passou mal após beber na casa de amigos em Vicente Pires, região a 40 minutos do centro da capital. Apesar disso, o rapper também se apresentou, no último domingo (28/9), em uma casa de shows em São Paulo. O local foi interditado cautelarmente pela Vigilância Sanitária do estado após a internação do músico.

O segundo caso suspeito no DF seria o de um homem de 47 anos que deu entrada na UPA de Brazlândia com sintomas compatíveis com a intoxicação por metanol. Ele está internado em estado grave. Na Bahia, Feira de Santana, no centro-norte do estado, e Salvador estão na lista de cidades com casos suspeitos de intoxicação por metanol.

No Paraná, o primeiro caso suspeito surgiu em Curitiba. Já no Mato Grosso do Sul, um jovem de 21 anos morreu após ingerir bebida alcoólica na noite de quinta-feira (2), em Campo Grande (MS). A causa da morte está sendo investigada como possível intoxicação pelo composto químico.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu procedimentos temporários e extraordinários para a autorização, em caráter emergencial, da fabricação de álcool etílico absoluto na forma farmacêutica, usado como “antídoto” no tratamento de intoxicação por metanol.

O metanol, também chamado de álcool metílico, é usado na indústria como solvente e na produção de combustíveis, tintas e plásticos. O composto, usado ilegalmente para substituir o etanol em bebidas alcoólicas, por ser mais barato, é extremamente tóxico. Sua ingestão gera compostos tóxicos no organismo, que atacam o sistema nervoso central e podem causar cegueira, falência de órgãos e morte, mesmo que consumido em pequena dose.

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