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Lula chega à cupula com G20 dividido sobre temas centrais. Saiba quais

Lula tentará avançar na própria agenda e deve esbarrar em divergências sobre meio ambiente e guerra na Ucrânia, em cúpula dividida

atualizado

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Ricardo Stuckert/PR
Lula
1 de 1 Lula - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa, neste fim de semana, da 18ª Cúpula do G20, em Nova Delhi, na Índia. No evento, o Brasil receberá do país anfitrião a presidência do grupo, pela primeira vez na história, em um contexto marcado por disputas em temas centrais: a busca por um novo olhar sobre o Sul Global, a guerra na Ucrânia e medidas de enfrentamento às mudanças climáticas.

Apesar de ser sediada na Índia, país do chamado Sul Global (nações em desenvolvimento), esta edição da cúpula ocorre sob domínio das nações ricas tradicionais, como Estados Unidos, França, Alemanha e Reino Unido. As negociações para a assinatura conjunta de uma declaração final esbarram nas agendas políticas dos países, que atuam conforme as próprias prioridades.

Lula, no entanto, espera que o Brasil possa ter relevância nas conversas como uma espécie de intermediário entre os blocos. O presidente brasileiro também pretende enfatizar pontos de sua agenda diplomática, como a pressão por mudanças na governança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ele quer aproveitar que, ao fim desta cúpula, o Brasil passará a presidência temporária do G20 – entre dezembro de 2023 e novembro de 2024 – para fazer os membros debaterem pontos como o financiamento dos países do Sul Global para uma transição energética ecológica.

Contudo, a adoção de metas de uso de energia renovável e possíveis limitações no uso de combustíveis fósseis são pontos de divergência entre as nações. Outro tema de inflexão entre os membros é a adoção de medidas mais contundentes para encerrar a guerra na Ucrânia.

Resistente a condenar Moscou diretamente, a China fica mais isolada nesse debate. O presidente do país, Xi Jinping, nem viaja para a Índia. Com mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Haia, Vladimir Putin, presidente da Rússia, também não vai.

“O grande ponto de tensão será a guerra da Rússia”, avalia o cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas, Leonardo Paz. A ausência dos dois líderes, que são grandes opositores dos EUA, e nações europeias, também contribuirá para um esvaziamento dos debates. “As promessas que poderiam ser feitas vão ter que ficar para depois”, defende.

No entanto, “dada a animosidade que existe hoje em relação ao G7 [EUA Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá] e à Rússia em relação à guerra; e à China em relação a essa rivalidade internacional, dificilmente a gente conseguiria, mesmo que eles estivessem lá, um grande compromisso sólido em qualquer tema, eu acho muito difícil neste contexto”, pondera o especialista.

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Agenda brasileira

Prestes a assumir a presidência do G20 até 2024, na liderança do Mercosul e, anos antes de iniciar o período de gestão no Brics, em 2025, o Brasil vive um momento estratégico em termos de diplomacia e política externa.

“Esta é uma oportunidade para os países do Sul Global se posicionarem, levarem suas demandas e se reunirem como coalizão para ter mais presença no sistema internacional. É também a oportunidade do Brasil se reposicionar como liderança internacional, recuperando a legitimidade e visibilidade que tinha antes da pandemia”, avalia Janina Onuki, professora de ciência política da Universidade de São Paulo (USP).

“Sempre há divergências em coalizões deste tipo, mas o foco nos temas mencionados pode levar a uma posição mais ampla e convergente. A presença da União Africana pode reforçar o papel do Brasil”, pondera.

Veja os pontos que Lula deve enfatizar na cúpula do G20:

  • Mudanças na governança global: Lula pressiona os países ricos por uma reforma no Conselho de Segurança da ONU para a inclusão de países do Sul Global, como Brasil, China, Índia e África do Sul. Quer ainda mais espaço para esses países em órgão como a Organização Mundial do Comércio (OMC).
  • Combate à fome e desigualdade: Lula deve pedir mais cooperação global para combater a fome nos países mais pobres e para reduzir a desigualdade de renda entre as nações.
  • Contenção das mudanças climáticas: Lula vem pedindo a Estados Unidos e Europa um plano financeiro para distribuir recursos de pelo menos US$ 100 bilhões para ano para países em desenvolvimento investirem em tecnologias menos poluentes na agropecuária e na produção de energia. O presidente brasileiro pede ainda incentivos para patrocinar o desenvolvimento sustentável das populações que vivem em florestas e outras áreas importantes para o equilíbrio climático.
  • Participação: Ao assumir a presidência do G20, o Brasil vai tentar criar mais canais para que organizações das sociedades civis dos países membros participem dos debates entre os chefes de Estado, fazendo recomendações e pedidos.

Programação no G20

Às margens da programação tradicional, Lula tem pelo menos quatro agendas bilaterais confirmadas com líderes asiáticos e europeus.

Neste sábado (9/9), Lula se reunirá pela primeira vez com dois líderes asiáticos: o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que permanece no poder do país há duas décadas; e com o príncipe herdeiro e primeiro-ministro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman.

O líder saudita é o mesmo que presenteou, em 2021, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) com joias milionárias. As peças, avaliadas em R$ 16,5 milhões, foram trazidas ilegalmente ao Brasil. O caso é investigado pela Polícia Federal.

Em junho, Lula participaria de jantar com o príncipe herdeiro durante viagem a Paris, na França, mas agenda acabou cancelada em razão da agenda extensa.

Também estão previstas duas bilaterais com europeus com quem Lula já se encontrou anteriormente. São eles Emmanuel Macron, da França – eles se encontraram em junho, durante viagem do petista a Paris; e com o premiê holandês Mark Rutte, que esteve em Brasília em maio.

Na programação tradicional da cúpula estão previstas duas sessões de debate no sábado (9/9) e uma reunião de encerramento no domingo (10/9), quando Lula receberá do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, a presidência do G20.

O mandato do Brasil vai vigorar por um ano, com mais de cem reuniões técnicas de 20 ministeriais, e terá como ponto alto uma cúpula de líderes do bloco em novembro de 2024, no Rio de Janeiro.

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