Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Lula caminha para chegar a 2026 de mal com Motta e Alcolumbre

Disputa pelo PL Antifacção e indicação de Messias ao STF colocaram o petista em rota de colisão tanto com a Câmara quanto com o Senado

24/11/2025 02:00, atualizado 24/11/2025 04:52
Compartilhar notícia
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caminha para uma situação atípica neste terceiro mandato e pode chegar a 2026 “de mal” com os chefes de ambas as Casas do Congresso Nacional. O petista comprou briga com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), no PL Antifacção, e decidiu medir forças com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre a próxima indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Quando entrou em atrito na Câmara, Lula por vezes precisou recorrer ao Senado. Foi assim com a anistia ao 8 de Janeiro, que não avançou porque Alcolumbre disse que barraria o tema. Quando a Câmara “segurou” o projeto de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, foi o Senado que pressionou a favor da proposta ao aprovar texto semelhante. A lista é extensa.

Agora, o clima de competição está generalizado. Motta fez reclamações públicas contra o governo Lula pela posição do petista contra o chamado PL Antifacção. A proposta foi originalmente gestada pelo Planalto, mas o presidente da Câmara decidiu dar a relatoria para o oposicionista Guilherme Derrite (PP-SP).

Lula caminha para chegar a 2026 de mal com Motta e Alcolumbre - destaque galeria
5 imagens
Guilherme Derrite em conversa com Hugo Motta
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)
Hugo Motta e Lula
A ratificação do acordo depende do presidente Lula
Presidente Lula (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)
1 de 5

Presidente Lula (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)

Vinicius Schmidt/ Metrópoles
Guilherme Derrite em conversa com Hugo Motta
2 de 5

Guilherme Derrite em conversa com Hugo Motta

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)
3 de 5

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)

BRENO ESAKI/METRÓPOLES
Hugo Motta e Lula
4 de 5

Hugo Motta e Lula

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
A ratificação do acordo depende do presidente Lula
5 de 5

A ratificação do acordo depende do presidente Lula

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

As alterações do parlamentar, carimbadas por Motta, foram aprovadas com votos contrários da base de Lula. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), falou em “quebra de confiança” com o presidente da Casa, que por sua vez foi às redes sociais afirmar que o governo errou ao se posicionar contra o projeto.

O episódio deixou o clima entre Lula e Motta ruim. Curiosamente, a situação foi “amenizada” justamente por Alcolumbre, que deu a relatoria do projeto no Senado a um nome equilibrado, que atenderá demandas do governo. E é justamente contra ele que o petista está medindo forças.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Lula indicou na última quinta-feira (20/11) o advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. A escolha desagradou Alcolumbre profundamente. O senador já havia avisado ao petista que votaria contra o escolhido, diante da sua preferência pelo seu antecessor e aliado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Segundo interlocutores, o clima azedou, e Lula sequer ligou para Alcolumbre para avisar sobre a oficialização da indicação. Agora, o clima para Messias no Senado é hostil e deve piorar conforme o Congresso avance sobre a discussão do Orçamento de 2026.

A disputa sobre as contas federais do próximo ano deve colocar em evidência novamente o debate sobre as emendas. O Legislativo quer impor ao Executivo um calendário de pagamentos da verba dos parlamentares, enquanto o Planalto vai na contramão e pretende rever a obrigatoriedade de pagar a maior parte desse dinheiro.

O STF tem papel crucial neste debate, porque por vezes atuou como mediador em disputas entre o Planalto e o Congresso. Como AGU, Messias orientou o governo a acionar a Corte contra a derrubada do IOF, por exemplo.