Hospital de Trindade abre sindicância para apurar troca de bebês

A unidade médica descarta a possibilidade de outros recém-nascidos estarem envolvidos na falha. Enfermeiras voltaram ao trabalho

Andre Borges/Esp. MetrópolesAndre Borges/Esp. Metrópoles

atualizado 01/08/2019 9:43

Enviado especial a Trindade (GO) – O Hospital de Urgências de Trindade, município da região metropolitana de Goiânia, abriu uma sindicância para apurar a troca de bebês ocorrida em 9 de julho. A investigação ainda está em fase inicial, mas a unidade médica descarta a possibilidade de outros recém-nascidos estarem envolvidos na falha. Naquele dia, foram feitos 16 partos.

Apesar da repercussão do caso envolvendo Genésio Vieira, 43 anos, Pauliana Maciel, 27 anos, Murilo Lobo, 22 anos, e Aline Alves, 20 anos, que tiveram os bebês trocados, a maternidade funcionará normalmente nesta quinta-feira (01/08/2019). A unidade não informou quantos partos estão agendados.

 

Segundo o porta-voz do Hutrin, Hemiltom Prateado, o hospital investigou preliminarmente e fez uma mudança de protocolo. “As profissionais envolvidas no caso foram afastadas inicialmente, mas reintegradas ao trabalho após concluído um procedimento administrativo preliminar”, explica.

Prateado adiantou ao Metrópoles que uma sindicância foi aberta e a apuração está em curso, por isso ainda não é possível detalhar o que ocorreu naquele dia. Contudo, de acordo com o porta-voz, o hospital acredita que a troca tenha ocorrido somente entre os dois bebês.

À polícia, as quatro enfermeiras disseram que a troca ocorreu no quarto, durante o pós-parto. Em depoimento à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) em Trindade, as profissionais descartaram qualquer possibilidade de erro da equipe, segundo a delegada responsável pelo caso, Renata Vieira. Nesta quinta-feira, as avós serão ouvidas.

Inicialmente, o hospital informou que afastou os médicos e enfermeiros que trabalharam em 9 de julho. Depois, a Polícia Civil de Goiás convocou o grupo para prestar depoimento nesta terça-feira (30/08/2019).

Contudo, a unidade médica informou que eles não poderiam comparecer por estarem trabalhando e que a ausência deles impediria o funcionamento da maternidade.

Nesta quinta-feira, o hospital divulgará o resultado de quatro exames de DNA que indicarão a paternidade das crianças. Foram realizados testes entre os dois bebês e os supostos pais Genésio e Murilo. Os resultados comprovarão se os recém-nascidos estão trocados entre os casais ou se não têm parentesco com as famílias.

Assistência psicológica
Hemiltom desmentiu os advogados das famílias e garante que a unidade médica está auxiliando os casais. “O hospital está prestando toda assistência necessária. Ontem [quarta-feira] pela manhã, as mães foram atendidas por uma psicóloga”, afirma.

Nessa quarta-feira (31/07/2019), o advogado Alaor Mendanha, da defesa de Genésio e Pauliana, fez críticas à unidade de saúde e disse que as famílias estão desamparadas. “O hospital em vez de dar todo o suporte, se afastou dos pais. Foi feita a promessa de um suporte psicológico e isso não aconteceu”, destaca.

O advogado Sérgio Flauzino, que defende Murilo e Aline, seguiu a mesma tendência. “O hospital não se deu conta do estrago que causou nessas vidas. Ele está completamente alheio”, reclama.

Caso de 2017
Esta é a segunda troca de bebês no Hutrin. Em 2017, duas crianças foram entregues a mães erradas. A falha foi percebida ainda na maternidade.

Prateado não comentou a repetição do erro. “Falamos apenas sobre esse caso. O que ocorreu em 2017 não podemos comentar por o hospital, à época, estar sob a responsabilidade de outra organização social (OS)”, conclui.