“Foi um susto danado, eu só chorava”, conta avó de bebê trocado

Resultado do exame de DNA sairá nesta quinta-feira para saber quem são os pais das duas crianças que nasceram no hospital de Trindade

André Borges/Especial para o MetrópolesAndré Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 01/08/2019 7:17

Enviado especial a Trindade (GO) – Quando o telefone tocou, a merendeira Núbia Fatima Silva, 42 anos, ajudava a filha Aline Alves, 20 anos, com o neto. Após a ligação, a avó chorou. Naquele momento ela ficara sabendo da troca dos bebês no Hospital de Urgências de Trindade, município da região metropolitana de Goiânia, distante 230 km de Brasília.

Do outro lado da linha, estava Genésio Vieira, 43 anos, que tinha em mãos um DNA que comprovava que o bebê que estava aos seus cuidados não era seu filho. O tom de pele diferente do garoto levantou a suspeita.

Genésio tinha gravado em seu celular o telefone de Aline. Quando Pauliana Maciel, 27 anos, recebeu alta, tomou emprestado o aparelho da colega de internação. Dessa forma, ele localizou a família de Aline. As duas deram à luz no mesmo dia: 9 de julho.

Foi um susto para Núbia. “As pessoas falavam que ele se parecia com o avô por ser moreno, como o pai da Aline. Foi um susto danado, eu só chorava”, contou ao Metrópoles.

Núbia acompanhou de perto a gestação do segundo neto. Até mesmo a primeira roupinha a ser usada a avó carinhosa escolheu: um conjunto de tricô azul e branco. Era a mesma do neto primogênito, hoje com 4 anos.

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A família mora no município goiano de Santa Bárbara, distante 22 km de Trindade. Os primeiros dias foram todos dedicados ao mais novo integrante da família. Núbia mostra no celular momentos dela cuidando do menino que acreditava ser seu neto.

A principal preocupação é com o resultado dos exames de DNA — que serão divulgados nesta quinta-feira (01/08/2019). Eles podem comprovar que os meninos estão trocados entre as famílias ou mostrar que eles não têm parentesco com o casal.

“Fico pensando na hora de entregar (para os verdadeiros pais). Não são só 18 dias, é amor, carinho e o laço que a gente cria”, lamenta, ao se emocionar.

Reação alérgica
Núbia ainda tentava descansar e conciliar os cuidados do bebê. Aline teve uma reação alérgica a um medicamento para dor e ficou cinco dias internada. “Ela perdeu o movimento do lado esquerdo. Pensei que ela fosse morrer. Pedia a todos que rezassem por ela”, conta.

Com a volta às aulas, Núbia tem se dividido entre acompanhar o “caso” do bebê e seu trabalho numa escola pública. “Tento ficar forte, mas é difícil. A Aline teve um trauma imenso. Nós não desconfiávamos de nada até aquela ligação”, ressalta.

Um único detalhe pôs dúvida em Núbia. “Peguei o outro bebê e falei ‘que pesado’. O seu é tão maneirinho, Aline’. Depois ela reclamou. ‘O meu é o maior e mais pesado, mãe. A senhora disse que ele era maneirinho’. Fiquei confusa, mas e sou avó, não podia fazer essa balança”, conta. A história ficou por isso mesmo.

Investigações
Nesta quinta-feira, o Hutrin divulgará o resultado de dois exames destinados a certificar a paternidade e dois a descartar o vínculo.

A Polícia Civil de Goiás ouviu nesta quarta-feira (31/07/2019) seis testemunhas – quatro profissionais do hospital e duas mães que estavam internadas no mesmo quarto.

Inicialmente, as avós foram responsabilizadas pela troca, mas os advogados das famílias negam a versão. Eles aguardam o resultado dos exames para definir os próximos passos da defesa. A principal hipótese é pedir indenização por danos morais.

Em nota, o Hutrin confirmou a troca dos bebês e disse que afastou quem estava trabalhando nas datas de nascimento e alta das mães e crianças. A unidade de saúde também informou que apura internamente o caso e está em contato com as famílias.

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