Gilmar Mendes critica Lava Jato e diz sentir “cheiro de corrupção”

Enquanto a Corte discutia a possibilidade de anulação de condenações da força-tarefa, o ministro mandou indiretas a Deltan Dallagnol

atualizado 26/09/2019 20:04

Daniel Ferreira/Metrópoles

Durante a sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) desta quinta-feira (26/09/2019), o ministro Gilmar Mendes aproveitou o voto para tecer duras críticas à Operação Lava Jato. O magistrado tem usado com frequência o tempo de fala durante os julgamentos para desaprovar a atuação da força-tarefa.

Enquanto a Corte discutia a possibilidade de anulações de condenações da Lava Jato, o ministro encurtou o voto e falou: “O combate à corrupção é um compromisso de todos nós, mas não se pode combater a corrupção cometendo crimes”.

Gilmar Mendes ainda citou os diálogos vazados pelo site The Intercept Brasil, supostamente envolvendo procuradores da República, incluindo o coordenador da força-tarefa em Curitiba (PR), Deltan Dallagnol.

“Eu passaria, se tivesse tempo, mas não vou fazer, pelas mensagens do Intercept, para lembrar o que são as entranhas desse chamado combate à corrupção”, disse o ministro. E continuou: “Inclusive corrupções rasteiras, baixas, como, por exemplo, pedido de passagens, vendas de palestras e coisas do tipo”.

Os casos citados dizem respeito a Dallagnol, que aparece nas supostas mensagens combinando palestras e indicando a outros procuradores que façam o mesmo, além de pedir passagens e ingressos para ele e a família para um parque aquático no Nordeste.

Além disso, comentou sobre o que chama de “fundação Dallagnol” – unidade que o procurador cogitou abrir para gerir recursos do fundo da Petrobras. “Veja, portanto: cheiro de corrupção, jeito de corrupção, forma de corrupção, matéria de corrupção. Portanto o combate à corrupção tem que se fazer dentro de casa, inclusive”, atacou o ministro.

Ainda durante a sessão do julgamento que abriu brecha em benefício de condenados da força-tarefa, Gilmar Mendes questionou a obrigatoriedade do STF de atender os procuradores. “Chamam a nós de vagabundos. Passam todos os limites, mentindo, agredindo a Corte e nós temos que atender a Lava Jato? É uma gente que passou de todos os limites”, esbravejou o ministro.

Mais lidas
Últimas notícias